NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

122 - Fine anni


"De nada adiantará desejar-lhe um Ano Feliz
se você se sentar e ficar aguardando a felicidade; por isso
FAÇA O SEU MELHOR!"


A. F. J.


Imagem: G. Brandão

sábado, 18 de dezembro de 2010

121 - Domingo Tenebroso

Os domingos são tenebrosos
As minhas horas sem sono
Queridas as inúmeras sombras
Com as quais convivo
Pequenas flores brancas
Não te acordarão
Não onde o coche negro
Da dor te levou
Os anjos não pensam
Em te devolver jamais
Será que eles ficariam zangados
Se eu me juntasse a ti?

Domingo tenebroso

Tenebrosos são os Domingos
Passados nas sombras
O meu coração e eu
Decidimos acabar com tudo
Daqui a pouco haverão flores
E orações que dizem saber
Mas não os deixem chorar
Deixem saber
O quão feliz estou por partir
A morte não é um sonho
Pois na morte eu te acaricio
Com o último suspiro da minha alma
Eu te abençoarei

Domingo tenebroso

Sonhando
Eu estava apenas sonhando
Acordo e encontro-te a dormir
No fundo do meu coração
Meu querido, eu espero
Que o meu sonho nunca te persiga
O meu coração me diz
O quanto eu te quero

Domingo Tenebroso

Domingo Tenebroso


Rezsõ Seress







domingo, 12 de dezembro de 2010

120 - Por Ti


Porque na noite
nossos negros corações se encontraram...
Desejo e sangue se entralaçaram.
Em despedida,
por sina, por morte,
partimos deixando raiz.
Olhar triste, salgado choro.
Somos um, somos vários,
somos loucos, somos mortais!
Idéias, ideais de um dia, uma vida,
sonhos lúgubres de um
amanhã que jamais existirá...


A. F. L.


Imagem: G.Brandão


domingo, 5 de dezembro de 2010

119 - Pedaços de Vida


Nada sei de hoje,
Nem tampouco do amanhã.
Na verdade, não sei
Se o futuro alcancará meus anseios.
Não quero aguardá-lo.
Minhar forças perdem-se
e num ritual melancólico,
rosas negras adornam meus dias
fazendo-me desejar, não desejando
viver, não vivendo.
Em um campo triste
aguardo por ti
o "Advento Mortal"
e contigo, seguirei
por trilhas que até então
meu olhar desconhece...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão


domingo, 28 de novembro de 2010

118 - Sem rosas


Não arrisque amar-me
sem meu prévio consentimento.
Nem tampouco ofereça-me flores.
Não culpe-me se para ti não sorrio.
Pois, sou triste.
Sou assim, sozinho, melancólico
e vivo meu mundo.
Um mundo de mistérios,
os quais não desejo revelar.
Se tua felicidade baseia-se
em meus caminhos,
viva outros momentos
pois, sou uma incógnita.
Vivo em um mundo sombrio
onde existe lugar somente
para mim e minha solidão...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

117 - Ser, Estar


Abruma-me o peito
com áspero sofrer.
Num ritmo macabro,
exuma-me o viver.

Parto, penso, vivo...
Sigo por entre dúvidas
que questionam minha alma,
meu destino.

Por que viver
se a morte é tão sublime?
Por que morrer
se nem tudo é sofrimento?

São incógnitas que me levam
cada vez mais a um labirinto
De abstenção, de silêncio
De escuridão e de lamentos...


A. F. J.


Poema vencedor do segundo lugar do VI Concurso de Poetas-Funcionários do HAPC - Hospital Doutor Arnaldo Pezutti Cavalcanti.

Imagem: G. Brandão

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

116 - Entre Aspas


"Vida..."
Sinônimo abstrato
Que liga a alma humana
Ao mundo dos mortais.
Que impõe viver
em um mundo desconhecido
onde tudo é quase nada
e o nada se faz em alguém.
Òh vida de ventos,
de morte, adventos,
de prantos, prazeres,
de dor e dizeres.
De tudo o que existe no mundo
do eterno abstrato...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão

domingo, 7 de novembro de 2010

115 - Sem forma


Assim que o sol desponta
Minha alma adormece,
Pois as revelações do sol
Não agradam o meu ego.

Já que meus momentos
Jazem na escuridão
Meus sonhos são incompletos
Difíceis de se entender.

Mas sou eu...
Meus caminhos seguem as trevas,
Meu passado, presente, futuro,
Minha solidão.

Solidão temperada
Com os lúgubres mistérios da vida.
Assim que o sol se esconde,
Por entre o manto da noite

Minha vida recomeça
E a escuridão me embala
Com seu canto, encanto
Entre seus silenciosos braços...

A. F. J.


Imagem: G.Brandão

sábado, 30 de outubro de 2010

114 - Brinde aos inimigos


Amo os amigos que tenho
E os inimigos amo também
São eles o combustível
que faz com que a máquina
da minha índole funcione

São eles, oficina para meus olhos
através deles aprendo o
que não devo fazer, de que maneira
Não devo pensar...

Sim, amo meus inimigos já que eles
não sabem amar, ou talves até saibam,
mas, se amassem não seriam inimigos,
pois inimigos não amam amar...

Não, eles não vivem, suas almas
simplóriamente vegetam em solitária languidês
mas eles me trazem relíquias
que minha alma absorve,
eles me são úteis...


Sim, preciso de meus inimigos
eles são o lado tétrico de minha vida
e meu coração precisa atrelar-se ao
tétrico para que meu semblante adorne
com belas flores, o que de belo o universo
me oferece,

E a vocês, inimigos de minha alma
meu eterno agradecimento por me
mostrarem tudo aquilo que um ser humano
não deve ser para ser um ser humano.


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.

sábado, 23 de outubro de 2010

113 - Busca


Preciso que me ajude a dar cabo de mim
Preciso que me ajude a dar cabo de mim

Porque por onde via, não vejo luar
Porque os meus dias torturam a minha mente
Porque os meus pés não acompanham o meu andar

E tu não me digas que a vida é bela
Porque minha alma não quer ouvir ou saber
Também não me doe letras de conforto

Apenas permita-me provar desse mel
Mas, mel amargo para a vida amarga
Olhos em prantos, luar a fugir

Subo ao monte quase feliz, um estranho
Da fase estranha que está a chegar
Porvir...


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

112 - Na noite


Na longa e triste noite
Envolto em negras vestes
Meu corpo desliza por entre arbustos ressecados.
Meus olhos suplicam ao negro luar um cântico de adorno
Para um momento de exílio...
O exílio de minha alma.
É triste o meu caminhar, todavia os meus instintos
Se mostram intímos da minha tristeza.
Não tenho a resposta do que minha alma almeja
Somente tão somente, o meu desejo
É estar de mãos entrelaçadas
Com meus lúgubres momentos de intensa e abstrata solidão
E meu coração se exalta criando em si,
Uma abstrata e lânguida alegria."


A. F. L.



Imagem: G. Brandão


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

111 - Anjo das Trevas - requiem





Anjo das Trevas

Requiem

Tento escrever um poema
Cuja incógnita é você.
Não consigo.
Anjo, Monge, Guardião, Sacerdote, Irmão e Amigo
Recitá-lo é um desafio.

A inspiração não é bastante
Para descrever em versos lânguidos e abstratos
Todo o respeito que sinto.
Sigo fazendo rascunhos diversos, inexatos
Deletando palavras, planos, idéias, espaços.

Sem conseguir desterrar da escuridão
A luz, capaz de trazer á vida
O poema que te traduza
E defina teu ser, tua solidão,
Tua morte viva.

Requiem

Anjo das Trevas

sábado, 2 de outubro de 2010

110 - Platônico...


"E o que diria meu coração, se você me fizesse um brinde
com taça de cristal contendo o mais imaculado vinho...?
Certamente seria um manjar para o paladar de minha alma
que há tempos umedece seus lábios com as esponjas embebecidas
em amargos sabores da vida a que segue..."


A.F.J.


Imagem: G.Brandão

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

109 - Em busca de mim - sem mim


Hoje, não mais choro por ti.
Não mais sofro tua partida.
Apenas,vivo.

E porque não viver
Se você me presenteou
com o dom da vida?

Sim, viverei e saborearei
a vida a cada minuto
a cada segundo...

E viverei em homenagem a ti.
Seguirei e buscarei
na poesia uma forma
de fingir que existo.

Mas, creio que existirei
ao saber que,
de alguma forma
esse desejo será comtemplado...


A. F. J.


Terceiro lugar no Concurso Interno de Poesias - HAPC - Hospital Dr. Arnaldo Pezutti Cavalcanti

Imagem: Arquivo Pessoal

sábado, 18 de setembro de 2010

108 - Âmago


No âmago de minha alegria
Uma lânguida certeza oculta-se
Na forma de um simulado sorriso.
                                
Por  abstratos caminhos,vagueia
minha alma sem contar os passos
que se seguem.

Meu corpo adentra
por um horizonte, um suposto horizonte.
Por onde anda a aurora 
que minha vida enlaçou?

Sinceramente minha alma desconhece.
Ainda assim, meu peito caminha
por entre soluços e sorrisos em busca de um
amanhã, de um utópico amanhã"

 
Ao meu "brohter" John Louco


Imagem: Ismar Z.


sábado, 11 de setembro de 2010

107 - Escuridão


Será água, será vinho?
Uma rosa ou um espinho?
A luz, a escuridão?
O fato ou a razão?
A perda, o preço...
O que para mim seria adaga
De algo que desconheço
Minha alma me indaga...

Não vivo, mas vivo.
Se viver é avistar horizontes
Não viver é seguir morrendo
Sem vislumbrar as pontes.
Sim, por certo que ensejo
Desejo ver, mas não vejo...

Entrando na realidade
Buscando uma verdade
Não sei da vida a real tonalidade
Concretizo a tarefa de seguir vivendo
A visão não é tudo
Nunca a conheci, todavia
Minha alma dela se sinta
Enlutada - no escuro...

A. F. J.


Imagem: Marcus Vinicius


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

106 - Obtuário


Bem antes da data presente
Meu corpo perdeu a alma
E o que restou de mim,
Se arrasta por meio de um
Abstrato sorriso de outono.
Não era essa a ideia, sei que não era
Mas hoje, continuo aqui acorrentado
A uma alegria ilusória.
Sim, falecido estou, para os dogmas
Da terra.

Se ela vai ser detentora de minha
Carcaça no futuro,
Então que o presente seja
Para mim,
Um presente...

Não quero honrar continência
Para um SENHOR
A quem não sigo...
Quero apenas seguir

E sei que meus pés conhecem o caminho,
Assim como eu conheço
A alma,
E ela não é submissa...


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

105 - Ida e Volta



"Não ha Ida sem Volta,
e nem há Volta sem Ida.
A Morte não é Morte
é só a porta da
Vida."



Imagem: Ismar Z.

sábado, 31 de julho de 2010

104 - A cruz na estrada



A cruz ali fincada,
A dor ali chorada,
Pedaço de alguém.
Espinhos do além.

Nasceu.
Surgiu.
Viveu.
Partiu.

Símbolo de um Ser.
Marca de um sofrer.
Barco que não atracou.
Vida que não vingou.
Destino que interrompeu
A vida de um ser
Que quis e não
Viveu.


A. F. J.


Imagem: Kleber Athos

quarta-feira, 21 de julho de 2010

103 - Ver - Te ( As doze árduas horas )


Por que preciso ver-te com limitações?
Quero-te por completo.
Que mundo é esse que estás vivendo hoje?
Dê-me o endereço, preciso visitá-la
Para perguntar como se faz o molho...

Você nem disse que ia partir, por que fostes assim?
Nem reparei na mesa, nem percebi o sabor do manjar...
Entrei há pouco no meu quarto... Não senti seu perfume lá
Não creio que minha realidade esteja desperta,
Acho que ela ainda dorme... Por Deus, destrua os relógios!

Não se esqueça que me prometestes que seria eu
A aguardar-te... Por que fizestes o contrário?
Agora não tenho como seguir... Então, só o que preciso
É o que não posso: tê-la de volta
Minha Mãe...


A. F. J.



Imagem: Kleber Athos

domingo, 27 de junho de 2010

102 - Orgulho



[Do frâncico * urgEli , 'excelência', pelo cat. orgull e poss., pelo esp. orgullo.] S. m. 1. Sentimento de dignidade pessoal; brio, altivez. 2. Conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba. - (escrito em 28/09/02)

Sim, era um milagre. Além do entardecer, três amigos de infância se reencontraram. A última vez que se viram foi no fim da adolescência, e agora, mais de dez anos depois. Resolveram entrar em algum bar para beber, quando apareceram as diferenças que chegam com a idade: um era satanista, o outro era padre agora, e o terceiro... bem, o terceiro tinha uma visão particular do mundo.

Marco ainda usava a camiseta desbotada do King Diamond, onde se lia "Satan´s Fall", o que desagradava Solomon, que se sentou do outro lado da mesa. Ao meio sentou-se o terceiro. Parecia Jesus Cristo, com os longos cabelos desgrenhados e a barba há muito sem fazer.

-Então, você ainda continua na "Highway to Hell", Marco?

-Sim, e quem não está, padreco? - respondeu Marco, com a costumeira cara de poucos amigos - Basta estarmos vivos nesse mundo, para sentirmos o inferno...

Solomon gostava de seus amigos. Bons tempos, antes das diferentes filosofias os separarem. O terceiro era o único que não tinha escolhido nenhum caminho. Dizia-se agnóstico, mas o padre achava aquilo uma desculpa covarde para não assumir uma religião.

-Lembram-se de quando começamos a ouvir metal juntos? - recomeçou Marco, trazendo as lembranças à luz da mesinha do bar.

-Claro. Iron Maiden sempre é a primeira banda de todo mundo. Foi com "The number of the beast", não? - continuou Solomon, pareceu meio incomodado com a recordação.

-666! - gritou Marco, rindo.

O terceiro estava quieto, bebendo sua cerveja. De repente soltou:

-Lembram-se quando me envolvi com aquela gostosinha da igreja, e logo depois todos vocês namoravam moçoilas católicas como ela também?

Riram juntos, mas o padre depois continuou:

-A minha moçoila sem saber despertou minha vocação religiosa.

-Que mais ela te despertava, Solomon? Confessa! - gargalhou Marco. - Eu só pensava em transar com a minha, e como ela recusava, isso me dava mais vontade ainda!

-E você acabou comendo ou não, Marco? - perguntou o do meio.

-Pior que não! Hahahahaha! Mas foram horas de bolinações que me lembro até hoje!

-Pelo jeito só eu absorvi o que as ditas "moçoilas católicas" tinham a compartilhar, né? Ela me contou certa vez a lenda dos sete pecados capitais, querem ouvir? - perguntou Solomon.

-Eu gosto de lendas. Conte. Aliás, por que chamamos de "pecados capitais"?

-O Sr. Agnóstico não sabe? - ironizou Marco. - Até eu sei! Chamamos os pecados capitais dessa forma por originarem outros pecados. E no século IV, são Gregório Magno e são João Cassiano definiram que são sete: orgulho, ganância, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça. Correto padreco?

Solomon acenou afirmando, até meio surpreso com a precisão secular da resposta. Então começou a contar sua versão da lenda:

"Certo dia um homem chegou do trabalho, e encontrou sete pessoas dentro de sua casa. Ficou assustado, quando um homem muito musculoso disse:

-Não tema, somos tão velhos quanto o mundo, e estamos em todos os lugares. Eu sou a PREGUIÇA, e estou aqui com meus colegas para que você escolha um de nós para sair definitivamente de sua vida...

-Mas como você é a preguiça? Tem corpo de quem malha diariamente!

-Sou forte como um touro, sim. E peso nos ombros dos fracos que sucumbem à esse pecado.

E então uma velha horripilante, encurvada e de aspecto enrugado, lhe diz:

-E eu sou a LUXÚRIA. Sou capaz de trazer doenças e morte, perverter crianças e destruir a sagrada família. - e antes que o homem argumentasse que ela era feia, se transformou numa bela mulher, dizendo: "Não há feiúra para a luxúria".

E um mendigo fedido que estava no canto da sala diz:

-Eu sou a GANÂNCIA. Muitos matam e abandonam famílias por mim. Tenho essa aparência pois não importa o quanto rico eu seja, sempre vou cobiçar e querer mais e mais.

-E quem seria você? - o dono da casa perguntou à uma mulher, linda, exuberante, que estava sentada no sofá, um corpo escultural.

-Eu sou a GULA. Ao contrário do que muitos pensam, não sou gorda e feia, pois assim seria fácil resistir à esse pecado. Quem tem a mim nem percebe. - ela respondeu.

Um velho estava sentado na poltrona, aspecto calmo, e disse, com voz serena:

-Eu sou a IRA, ou cólera, ou raiva. Tenho muitos nomes, e sou o mais comum entre as pessoas. Posso ser o avô da humanidade, que por mim matam com crueldade e destroem cidades e civilizações. Mesmo quando não apareço, posso estar guardado dentro de você, lhe causando úlceras, câncer e outras doenças.

Nisso apareceu uma princesa, a ostentação em pessoa. Vestia roupas finas, e usava uma coroa, braceletes e anéis de puro ouro.

-E eu sou a INVEJA. Não tenho ainda tudo o que desejo. Existo entre os ricos e os pobres igualmente. A inveja surge pelo que não se tem, e pelo que é dos outros. Nesse aspecto sou parecida com a cobiça... E sou uma das madrinhas da tristeza.

Ela foi interrompida por um lindo menino, sorridente e brincalhão, que perguntou ao morador:

-Quer brincar comigo? Eu sou o ORGULHO. Não se engane, não sou puro e inocente como pareço, sou tão destrutível quanto os outros pecados.

E então, vendo que precisaria mesmo escolher entre um dos sete, o morador pediu tempo para pensar... Quando voltou, tinha escolhido o ORGULHO para sair de sua vida. A criança olhou raivosamente para ele, e foi embora. Para a surpresa do homem, todos os outros também saíram junto com o menino.

-Esperem! Eu... acertei?

O menino então se voltou, e respondeu, com uma voz que não era de criança:

-Sim, fez a escolha certa. Tirou o orgulho de sua vida, e onde não há Orgulho não há preguiça, pois os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazer para viver não percebendo que na verdade vegetam. Também não há Luxúria, pois os luxuriosos têm orgulho de seus corpos e julgam-se merecedores, assim como não há Cobiça, pois os cobiçosos têm orgulho das migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e invejando a felicidade alheia, não percebendo que na verdade são instrumentos do dinheiro.

O morador olhava atônito, e o menino continuou:

-Onde não há orgulho, não há Gula, pois os gulosos se orgulham de sua condição e jamais admitem que o são, arrumam desculpas para justificar a gula, não percebendo que na verdade são marionetes dos desejos. Também não há Ira, pois os irados têm facilidade com aqueles que, segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, não percebendo que na verdade sua ira é resultado de suas próprias imperfeições. E por fim, não há inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem o sucesso alheio seja ele qual for, precisam constantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo que na verdade são ferramentas da insegurança.

Então saíram todos sem olhar para trás."

-Hahahahaha! Aquele "esperem, eu acertei", foi você quem colocou na lenda, né Solomon? - sorriu o do meio e o padre concordou, perguntando:

-Oras, você nunca ouviu falar de licença poética?

-Eu escolheria sim o menino, sabe? Mas não por sabedoria, apenas por um motivo louco que só minha mente saberia explicar, mas no fim... Eu escolheria o menino!

-Querem minha opinião? - disse Marco, e antes de qualquer resposta, soltou:

-O que são os tais pecados capitais, além de atos que fazemos para garantir nossa satisfação física e mental? Desculpem, mas, todos eles são manifestações de instintos. E o homem É UM ANIMAL INSTINTIVO, certo padre?

Solomon tossiu, e engasgou com a água que bebia. O terceiro apenas ficou quieto, e seus olhos brilharam com a curiosidade típica de geminiano. "Continue Marco."

-Ganância, gula e preguiça são a manifestação do instinto mais básico, a autopreservação. E luxúria? Seria também um instinto, a procriação. E para que a gula e a preguiça não acabem esteticamente conosco, o orgulho e a vaidade dão uma consertada nas coisas, percebem?

Após essa declaração de Marco, os três caíram num silêncio profundo... Sim senhor, aquela seria uma noite e tanto!


Lewd
Sistinas


Publicado sob autorização do autor também em Alfarrábio, Gama e Omega



Imagem: G.Brandão

quarta-feira, 23 de junho de 2010

101 - Femmes Damneés



À tíbia das lamparinas voluptuosas,
Sobre sensuais coxins impregnados de essência,
Sonhava Hipólita as carícias poderosas
Que lhe erguiam o véu da púbere inocência.

Ela buscava, o olhar na tempestade posto,
De sua ingenuidade o céu distante agora,
Como um viajante para trás volve o seu rosto
Em busca da manhã que já se foi embora.

Os olhos já sem viço, o preguiçoso pranto,
O ar exausto, o estupor, lúbrica moleza.
Os barcos sem ação, como armas vãs a um canto,
Tudo afinal lhe ungia a tímida beleza.

Posta a seus pés, serena e cheia de alegria,
Delfina lhe lançava à carne olhos ardentes,
Como o animal feroz que a vítima vigia,
Após havê-la antes marcado com seus dentes.

Bela e viril de joelhos ante a frágil bela,
Soberba, ela sorvia com volúpia intensa
O vinho da vitória e, acercando-se dela,
Punha-se à espera de uma doce recompensa.

No pasmo olhar da presa ela buscava aflita
Ouvir o canto que o prazer sem voz entoa,
E essa sublime gratidão que arde infinita
E, qual suspiro, sob as pálpebras escoa.

- "Hipólita, amor meu, que me dizes então?
Compreendes quão pueril é oferecer agora
Em holocausto as tuas rosas em botão
A um sopro que as pudesse espedaçar lá fora?

Meus beijos são sutis como asas erradias
Que afagam pela tarde os lagos transparentes,
Mas os de teu amante hão de escavar estrias
Como as carroças e os arados inclemente;

Sobre ti passarão qual sobre alguém pisasse
Uma junta de bois os cascos sem piedade...
Hipólita, meu bem! Volve pois tua face,
Tu, coração, que és o meu todo e és a metade,

Volve teus olhos cheios de astros como os céus!
Dá-me esse olhar que é como um bálsamo bem-vindo;
Do prazer mais sombrio eu erguerei os véus
E hei de fazer-te adormecer num sonho infindo!"

Mas Hipólita então a fronte levantando:
- "Não sou ingrata e do que fiz não me arrependo,
Minha Delfina, eu sofro e à dor vou definhando,
Como após um festim crepuscular e horrendo.

Sinto pesarem em mim graves terrores
E negros batalhões de fantasmas dispersos,
Que querem conduzir-me a fluidos corredores
Num sangüíneo horizonte em toda parte imersos.

Teremos cometido algum pecado extremo?
Explica, se é capaz, o medo que me acua:
Se me dizes: Meu anjo! Eu de alto a baixo tremo
E sinto minha boca ir em busca da tua.

Não me olhes mais assim, ó tu, meu pensamento!
Tu que eu adoro e que és enfim minha eleição,
Mesmo que fosses um fantoche fraudulento
E a própria origem dessa estranha perdição!"
 Delfina, a sacudir nervosa a crina ondeante,
E como a tripudiar sobre um tripé supremo,
O olhar fatal, gritou, despótica e arrogante:
- "E quem diante do amor ousa falar do inferno?

Maldito para sempre o sonhador inútil
Que por primeiro quis, em sua insanidade,
Enfrentando um problema insolúvel e fútil,
Às delicias do amor juntar a honestidade!

O que deseja unir, em místico projeto,
O dia com a noite, o frio com a flama,
Jamais aquecerá seu trôpego esqueleto
Àquele rubro sol que amor também se chama!

Vai, se queres, de um noivo estúpido à procura;
Abre teu peito em flor a seus beijos em fúria;
E como quem o horror ao remorso mistura,
No seio hás de exibir-me o estigma da luxúria...

Aqui somente a um mestre é licito servir-se!"
Mas Hipólita, em meio a uma enorme aflição,
De súbito gritou: - "Sinto em meu ser abrir-se
Um abismo, e este abismo é enfim meu coração!

Ardente qual vulcão, mais fundo que a tormenta,
Nada este monstro aplacará dentro de mim
E nunca há de saciar Eumênide sedenta
Que o queimará, archote em punho, até o fim.

Que os véus de nossa alcova ocultem-nos do mundo,
E que o cansaço dê repouso a tais agruras!
Quero extinguir-me no teu vórtice profundo
E no teu seio achar a paz das sepulturas!"

- Descei, descei, ó tristes vítimas sublimes,
Descei por onde o fogo arde em clarões eternos!
Mergulhai neste abismo em que todos os crimes,
Tangidos por um vento oriundo dos infernos,

Fervilham de mistura aos ásperos trovões.
Sombras dementes, ide ao fim de vosso vício;
Não poderei o ódio expulsar dos corações,
E é do prazer que há de surgir vosso suplício.

Jamais um raio há de clarear vossas cavernas;
Pelas fendas da pedra os miasmas delirantes
Infiltram-se a brilhar, assim como lanternas,
E os corpos vos penetram de odores nauseantes.

O acre prazer que vos alegra a erma existência
A sede vos aumenta e a vossa pela engelha;
E ao vento furibundo da concupiscência
Vossa carne se esgarça qual bandeira velha.

Longe dos vivos, erradias, condenadas,
Correi rumo ao deserto e ali uivai a sós;
Cumpri vosso destino, almas desordenadas,
E fugi o infinito que trazei em vós!




quinta-feira, 17 de junho de 2010

100 - OIhos


Observas as passagens alheias;
Idas e vindas...
Alegrias, tristezas, encontros e desprazeres.


Rogas teu veredicto:
Lançando ao vento o veneno das tuas palavras.

Olhos fugazes
Tornando-se cegos,
Aos teus próprios assuntos.
Pobre sombra de tua miníma vida;
Vida de uma janela,
Vida de espectador...

Ganhe-te o pesar
Porque quando esse olhos,
Voltarem-se para si próprio...



Lu Moon Shadow
Moon Poetics



Imagem: G.Brandão

domingo, 13 de junho de 2010

99 - Jardim Secreto


"Amar sempre dá certo mesmo sabendo que

no coração amado exista um jardim

secreto: o grande mistério

do ser só!"


Vivian Maguinter

In Foco



Imagem: Ismar Z.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

98 - Ave Maria

Ave Maria de Gounod. Em belíssima e moderna versão, de uma banda que muito aprecio: E Nomine.




As ilustrações que se vêem na apresentação da música são da artista Victoria Frances.



quinta-feira, 27 de maio de 2010

97 - Coemeterium


Cemitério:

Triste...
Para quem olha.

Belo...
Para quem vê.

Surpreendente...!
Para quem visita.




Imagem: G.Brandão


domingo, 9 de maio de 2010

96 - PRESENÇA


UM POEMA SOBRE A (IN)EXISTÊNCIA

um poema, only...

PRESENÇA

Estou aqui,
Aqui estou

Aqui vivendo

Aqui ficando

Aqui sofrendo

Aqui penando

Aqui crescendo

Aqui pensando

Aqui moendo

Aqui minguando

Aqui desaparecendo

Aqui sonhando

Aqui envelhecendo

Aqui lutando

Aqui correndo

Aqui vagando

Aqui entristecendo

Aqui ecoando

Aqui estando

Estou aqui,

No vazio,

Mas estou aqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

95 - De Flores, Sorte e Morte



"Flores , encantos ...
O outro lado da sorte.
Enquanto enfeitam a alegria
Também enfeitam a morte."

A. F. J.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

94 - Intraduzível



""É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão
silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos
são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."

Clarice Lispector



quarta-feira, 14 de abril de 2010

93 - Libera Domine Life



LIBERA DOMINE LIFE



A. F. J.



terça-feira, 13 de abril de 2010

92 - Frio

"Tempos assim frios, costumam me deprimir.
Tempos assim em que o céu está cinza, não vejo vida.
Vivendo de poucos momentos bons algo tão longo como a vida.
Há tempos não vejo um sorriso sincero.
Há tempos não respiro."

Engel Tot, Tag Tot



domingo, 4 de abril de 2010

91 - "Arroubo"


"Não ouse roubar a minha solidão, se não fores capaz de me fazer real companhia."

Nietzsche



sábado, 20 de fevereiro de 2010

90 - Obrigado


Muito obrigado a você que me fez morrer a cada dia

Que não notou o sorriso que pra ti preparei com amor

Muito obrigado por distanciar-se quando de ti, me aproximei.


Muito obrigado por não ser capaz de interpretar

O poema que pra ti recitei em forma de lamento

Obrigado por não ter deixado que eu revelasse o meu amor.


Obrigado por não ter notado o quanto eu te amava

Obrigado por não ter sido capaz de decifrar a incógnita,

que se formou em meu peito,

no momento em que te conheci.


Obrigado por não ter notado, que ao te encontrar,

eu comecei a viver.

Enfim, obrigado por não ter permitido

que minha vida seguisse adiante.


Hoje minha alma jaz num leito de sombras

e meu coração sangra a cada segundo,

disso que chamam de "vida".


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp
Poema publicado no site Spectrum Gothic

89 - Retrato



Daquilo que sou, daquilo que fui, do que serei
Numa negra moldura envolta em laços barrocos
Onde sonhei e hoje sou um utópico sonho.
Talvez haja uma resposta.
De nada servirá seu teor, ou estará seu destinatário
A viajar por entre abstratas nuvens.

Seus segredos, seus mistérios soltos numa nova imensidão
Uma desconhecida, abstrata imensidão.
Serei então foco de olhares, saudosos
talvez de um quem sabe,
eterno, sensível poeta

E ali permanecerei, tendo meus olhos
Como guardiões do cenário que me fará prisioneiro.
Agora fica aos olhos minha matéria, pois meu amâgo partirá
Por entre gélidas nuvens, nesse abstrato horizonte.
Agora, nada mais sou além de um pássaro
Navegando em instrospecto

Minha vida segue, seu percurso me inundou de ausência
Mas, também me adornou de ósculos, sim tive meus momentos
De eterno jardim perfumado que me embalaram em noites
Em que eu jazia em busca de um morto coração
Na fuga de vãs palavras armadas de indagações.

Todos os meus papéis findam-se aqui,
Palavras e cantos, abraços e prantos
Aqui sepultarei, por quais caminhos irei
Não tenho em minha confusa mente,
Mas, sei que irei na certeza que entre
Acertos errei, entre erros acertei

E num ritual de solidão oculta,
minha alma criou essa tela, onde enfim
Sentirei perpetuada minha inerte imagem...


A. F. J.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

88 - Elegia


Restou em minhas mãos
Nada além do calor do adeus
Porém o sabor da despedida,
Jaz solene em meu viver.

O adeus fragmenta-se
Transforma-se em incontáveis pedaços,
Pedaços de solidão...

Tempo, ora amigo, ora vilão devastador
A desbastar um coração contente

Busco sem um retorno
Reconhecer em meio
As lágrimas, o cenário
Que me afastou de ti.

Hoje minha alma navega
Por entre abstratas ondas
Em busca de um motivo
Para prosseguir, para viver

O que restou de mim
Como refúgio de sua distância
Torna-se em breves momentos
Um doloroso sinal de despedida

Eis que num desejo utópico de revê-la
Meu peito soluça em prantos
Enquanto minha alma aguarda
O desfecho de um enredo
Onde a saudade é a única protagonista...

A. F. J.

"Para minha Mãe"

87 - Liberto


Liberto o tempo
Do meu pensamento imperfeito.
Vida minha inserida em branca tela
Resvala, desliza por sob
Brandas camadas.

Sim, perfeito viver, embora a dor
Adotando um sorriso
Com a sombra de uma satisfação utópica
Por certa feita chegou
Mas, por completo não atracou
Em casual destino.

Forte, tão maioral
Grito ao silêncio.
Para quem? Quem ouvirá?
Talvez nos ouvidos de algum flagelado
Soe o meu grito silencioso e murmurante
De uma abstrata dor...

A. F. J.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

86 - Em Busca de Mim


Hoje procuro no tempo, respostas para minha dor.
Sinceramente eu não sabia o preço a pagar
Por um dia ter sido feliz.
Saudades de tenros momentos em que ainda
Por frações de segundos, talvez,
Vaguei por obscuras alegrias

Talvez tenha sido o tempo, o vilão a me atraiçoar
Quem sabe a minha alma adormecia
Enquanto meu destino um cálice me reservava...
Eis que me é servido em tempos de cólera.
Destino, vilão a se insinuar num lugúbre espetáculo
Minha alma desliza em um cenário novo, desconhecido...

Num crepúsculo cenário, resta-me prosseguir,
Até um destino o qual minha alma desconhece
Mas, meu peito soluça.
Pede-me ânimo e a vida me convida a seguir...
E eis que meu peito indaga:
"Qual o caminho? Qual será a trilha da incerteza
Que devo seguir?

Minha alma deseja sim, um espaço para prosseguir,
Entretanto, esse espaço, adorna-se de ásperos espinhos
A ferir meus pés.
Todavia, é esse o meu caminho, e a minha caminhada
Torna-se inadiável em busca do tempo que
Segundo lendas, abrandará a minha dor...

A. F. J.


85 - Incógnita


Aquilo que era real aos poucos distância-se
do que era um desejo.
A noite chega e em
seus braços adormece um noturno pássaro...
Assim, o luar com um lúgubre olhar, numa fúnebre
sinfonia, cobre a noite com lânguidos suspiros.

Eis um cenário em que, sangrentas lágrimas,
por face rolavam, e afagavam com lástimas mórbidos
lábios adornados de luto.
Sabe ela que por longos séculos,
percorrerá aquela nave... ela sabe...
sua visita é inevitável,ainda que machuque.
Nesse ato litúrgico, segue uma alma conduzida
em andor de cimento e languidamente se aproxima
de seu derradeiro destino, assim segue a noite
entre suas incógnitas trilhas"

A. F. J.

Poema publicado no site Cemiteriosp

84 - Conflitos da Alma



Óh sorte negra
notícia que chega
coração que palpita
alma que queima

medo que impera
remorso que gera
temor de uma terra
para onde quizera
jamais visitar

semblante que desce
luar que escurece
idéia que surge:futuro
não terás.

e agora destino?
o que se fazer?
cumprir minha sina,
correr contra o tempo,
me lavar em prantos?
ou a mim merecer?

pensar que a morte
não vence a sorte
que tenho um lema:
meu lema é viver !!!


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp


domingo, 14 de fevereiro de 2010

83 - Sã Esquizofrenia


" ÁS VEZES PENSO QUE MINHA ALMA VAI EXPLODIR
TENTO E NÃO CONSIGO ENCONTRAR MEU CHÃO E PARO
NESSE MOMENTO; UM VULTO DE MEDO APROXIMA-SE DE MIM
SINTO QUE ELE ME ALMEJA.
CHEGO A DESCONHECER O QUE MEUS OLHOS AVISTAM.

PENSO QUE SE DISSER ALGO NINGUÉM ENTENDERÁ
NEM AO MENOS TOMARÃO MEUS PULSOS. MINHA VIDA
ESTÁ EM FUGA. MEU QUARTO: MEU REFÚGIO! É NELE
AONDE ME TRANCO E TRANCO MINHAS ANGÚSTIAS, MINHAS
HISTÓRIAS... HISTÓRIAS QUE TALVEZ UM DIA FAÇA EMERGIR
DOS LÁBIOS TALVEZ DE UM AMIGO OU ATÉ DE UM DESAFETO,
QUEM SABE, UMA LEVIANA RECORDAÇÃO, COMO TOCANDO A PEDRA
FUNDAMENTAL DOS PRIMÓRDIOS DO ESQUECIMENTO...

NINGUEM OUVIRÁ MEU GRITO DE ANGÚSTIA, E ASSIM
MORREREI SORRINDO, OLHANDO CADA CENTÍMETRO DA
VIDA QUE ALÍ ME ABORTA E ME ENTREGANDO Á MORTE
QUE ME RECEBE. SE ME CONTAS O QUE HA DE VIR, Ó
PÁSSARO NOTURNO TE AGRADEÇO, AINDA QUE TU SEJA
APENAS, MAIS UM FRUTO DO MEU AGÔNICO DELÍRIO

A VIDA ME ABANDONOU, NUM MOMENTO DE ESCURIDÃO
MEU CORPO INÉRTE NO CHÃO SENTIU TEUS PÉS...
TENTEI INVADIR MEU EGO NA CERTEZA DE ENCONTRAR
A CHAVE DOS MEUS SEGREDOS. ÀS VEZES SINTO QUE MINHAS
IDÉIAS NÃO COMUNGAM, O QUE SERÁ DE MIM? PERGUNTO AO
VENTO, ÁS NUVES, NINGUÉM ME RESPONDE... TERÁ MESMO
CHEGADO O MOMENTO? OU É APENAS UM POEMA? NÃO, EU
NÃO O TERIA CRIADO..."

A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp

sábado, 13 de fevereiro de 2010

82 - Tempo


" o silêncio da noite
me diz que tem a resposta
mas eis que nem lembro
0 que havia perguntado
talvez tenha sido o tempo
que meus arquivos esvaziou

não sei mais apreciar a cor da
cortina da sala. nem mais adivinho
se vai chover ou não. Tempo, tempero
do tempo, adorno, triste adorno a me
cobrir, a me furtar ásperos sorrisos
por certo com sabor de lágrimas pretéritas... "


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp


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