NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †
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segunda-feira, 26 de março de 2012

134 - Desprezo segundo Pessoa



"Despreza tudo, mas de modo que o desprezar não te incomode.
Não te julgues superior ao desprezares.
A arte do desprezo nobre está nisso."

Fernando Pessoa.


Imagem: Ismar Z. Silva


segunda-feira, 6 de junho de 2011

130 - O pensamento de Epicurus de Samos


"Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz?
Então não é onipotente.

É capaz, mas não deseja?
Então é malevolente.

É capaz e deseja?
Então por que o mal existe?

Não é capaz e nem deseja?
Então por que lhe chamamos Deus?"


Epicurus de Samos (341-270 AC)


Imagem: G. Brandão


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

123 - Amigo do Cão



"Se entre Cães encontrei-Te, Amigo...
Então, entre Amigos encontrei-Te Cão!"



Para o Jean Lopes



Imagem: G.Brandão

quarta-feira, 23 de junho de 2010

101 - Femmes Damneés



À tíbia das lamparinas voluptuosas,
Sobre sensuais coxins impregnados de essência,
Sonhava Hipólita as carícias poderosas
Que lhe erguiam o véu da púbere inocência.

Ela buscava, o olhar na tempestade posto,
De sua ingenuidade o céu distante agora,
Como um viajante para trás volve o seu rosto
Em busca da manhã que já se foi embora.

Os olhos já sem viço, o preguiçoso pranto,
O ar exausto, o estupor, lúbrica moleza.
Os barcos sem ação, como armas vãs a um canto,
Tudo afinal lhe ungia a tímida beleza.

Posta a seus pés, serena e cheia de alegria,
Delfina lhe lançava à carne olhos ardentes,
Como o animal feroz que a vítima vigia,
Após havê-la antes marcado com seus dentes.

Bela e viril de joelhos ante a frágil bela,
Soberba, ela sorvia com volúpia intensa
O vinho da vitória e, acercando-se dela,
Punha-se à espera de uma doce recompensa.

No pasmo olhar da presa ela buscava aflita
Ouvir o canto que o prazer sem voz entoa,
E essa sublime gratidão que arde infinita
E, qual suspiro, sob as pálpebras escoa.

- "Hipólita, amor meu, que me dizes então?
Compreendes quão pueril é oferecer agora
Em holocausto as tuas rosas em botão
A um sopro que as pudesse espedaçar lá fora?

Meus beijos são sutis como asas erradias
Que afagam pela tarde os lagos transparentes,
Mas os de teu amante hão de escavar estrias
Como as carroças e os arados inclemente;

Sobre ti passarão qual sobre alguém pisasse
Uma junta de bois os cascos sem piedade...
Hipólita, meu bem! Volve pois tua face,
Tu, coração, que és o meu todo e és a metade,

Volve teus olhos cheios de astros como os céus!
Dá-me esse olhar que é como um bálsamo bem-vindo;
Do prazer mais sombrio eu erguerei os véus
E hei de fazer-te adormecer num sonho infindo!"

Mas Hipólita então a fronte levantando:
- "Não sou ingrata e do que fiz não me arrependo,
Minha Delfina, eu sofro e à dor vou definhando,
Como após um festim crepuscular e horrendo.

Sinto pesarem em mim graves terrores
E negros batalhões de fantasmas dispersos,
Que querem conduzir-me a fluidos corredores
Num sangüíneo horizonte em toda parte imersos.

Teremos cometido algum pecado extremo?
Explica, se é capaz, o medo que me acua:
Se me dizes: Meu anjo! Eu de alto a baixo tremo
E sinto minha boca ir em busca da tua.

Não me olhes mais assim, ó tu, meu pensamento!
Tu que eu adoro e que és enfim minha eleição,
Mesmo que fosses um fantoche fraudulento
E a própria origem dessa estranha perdição!"
 Delfina, a sacudir nervosa a crina ondeante,
E como a tripudiar sobre um tripé supremo,
O olhar fatal, gritou, despótica e arrogante:
- "E quem diante do amor ousa falar do inferno?

Maldito para sempre o sonhador inútil
Que por primeiro quis, em sua insanidade,
Enfrentando um problema insolúvel e fútil,
Às delicias do amor juntar a honestidade!

O que deseja unir, em místico projeto,
O dia com a noite, o frio com a flama,
Jamais aquecerá seu trôpego esqueleto
Àquele rubro sol que amor também se chama!

Vai, se queres, de um noivo estúpido à procura;
Abre teu peito em flor a seus beijos em fúria;
E como quem o horror ao remorso mistura,
No seio hás de exibir-me o estigma da luxúria...

Aqui somente a um mestre é licito servir-se!"
Mas Hipólita, em meio a uma enorme aflição,
De súbito gritou: - "Sinto em meu ser abrir-se
Um abismo, e este abismo é enfim meu coração!

Ardente qual vulcão, mais fundo que a tormenta,
Nada este monstro aplacará dentro de mim
E nunca há de saciar Eumênide sedenta
Que o queimará, archote em punho, até o fim.

Que os véus de nossa alcova ocultem-nos do mundo,
E que o cansaço dê repouso a tais agruras!
Quero extinguir-me no teu vórtice profundo
E no teu seio achar a paz das sepulturas!"

- Descei, descei, ó tristes vítimas sublimes,
Descei por onde o fogo arde em clarões eternos!
Mergulhai neste abismo em que todos os crimes,
Tangidos por um vento oriundo dos infernos,

Fervilham de mistura aos ásperos trovões.
Sombras dementes, ide ao fim de vosso vício;
Não poderei o ódio expulsar dos corações,
E é do prazer que há de surgir vosso suplício.

Jamais um raio há de clarear vossas cavernas;
Pelas fendas da pedra os miasmas delirantes
Infiltram-se a brilhar, assim como lanternas,
E os corpos vos penetram de odores nauseantes.

O acre prazer que vos alegra a erma existência
A sede vos aumenta e a vossa pela engelha;
E ao vento furibundo da concupiscência
Vossa carne se esgarça qual bandeira velha.

Longe dos vivos, erradias, condenadas,
Correi rumo ao deserto e ali uivai a sós;
Cumpri vosso destino, almas desordenadas,
E fugi o infinito que trazei em vós!




domingo, 9 de maio de 2010

96 - PRESENÇA


UM POEMA SOBRE A (IN)EXISTÊNCIA

um poema, only...

PRESENÇA

Estou aqui,
Aqui estou

Aqui vivendo

Aqui ficando

Aqui sofrendo

Aqui penando

Aqui crescendo

Aqui pensando

Aqui moendo

Aqui minguando

Aqui desaparecendo

Aqui sonhando

Aqui envelhecendo

Aqui lutando

Aqui correndo

Aqui vagando

Aqui entristecendo

Aqui ecoando

Aqui estando

Estou aqui,

No vazio,

Mas estou aqui.

terça-feira, 13 de abril de 2010

92 - Frio

"Tempos assim frios, costumam me deprimir.
Tempos assim em que o céu está cinza, não vejo vida.
Vivendo de poucos momentos bons algo tão longo como a vida.
Há tempos não vejo um sorriso sincero.
Há tempos não respiro."

Engel Tot, Tag Tot



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

5 - Anjo das Trevas †


††† COMO UMA FIGURA EM DESALENTO E VAZIO , CAMINHO SOBRE PEDRAS NA NOITE ESCURA E SEM DESTINO. MEU CORPO DESLIZA POR ENTRE BECOS... MEU CORPO ORDENA, MEUS PÉS OBEDECEM E CONDUZEM-ME EM MINHA LÚGUBRE CAMINHADA. MINHA MENTE NÃO OBEDECE MEUS INSTINTOS E SINTO MINHA ALMA ABRUMAR-SE NUM RITUAL SOMBRIO. LUTUOSAS PAISAGENS ADORNAM MEU TRISTE OLHAR EXUMANDO MEU CORAÇÃO... E ME PERGUNTO: O QUE SERÁ QUE RESTOU DELE? NÃO SEI AO CERTO. ASSIM, BAIXO MINHA CABEÇA, CERRO MEUS OLHOS PARA O GÉLIDO CHÃO E ... CONTINUO A MORRER... †††

(††ANJO DAS TREVAS††)

†††

ENTRE NESSE JARDIM SOMBRIO E DESFRUTE JUNTO A MIM, O SABOR DAS TREVAS... AQUI TUDO É NEGRO, TUDO É LÚGUBRE E MISTERIOSO... E NÃO PRECISA TENTAR ME ENTENDER, NEM TE PEÇO ISSO, AFINAL, COMO ENTENDER UMA CRIATURA QUE BUSCA SUAS ENERGIAS NAS TREVAS? NÃO TENTE... APRECIE TAL COMO ME APRESENTO... GOSTOU DA MINHA PÁGINA?? OBRIGADO!! SERÁ SEMPRE BENVINDO(A)... NÃO GOSTOU? LEGAL... MOSTRA QUE VOCE TEM CRITÉRIO DE ESCOLHA... ISSO É INTELIGÊNCIA... GOSTO DE PESSOAS INTELIGENTES... †† A PROPóSITO, BOA PARTE DOS POEMAS AQUI ENCONTRADOS SÃO DE MINHA AUTORIA.


A. F. J.
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