NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †
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segunda-feira, 23 de maio de 2011

129 - Poética


I

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.


II

Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!


Vinicius de Moraes

Imagem: G.Brandão

quarta-feira, 11 de maio de 2011

128 - Excerto e Reflexo


"... e por dormir demais naquele pôr-de-sol, o sono da noite não veio. Pôs-se de pé, caminhou pelo escuro, e se levou até a janela. Ele era dois. Um que respirava e outro que o interrogava. Abriu as bandas da janela como um livro. Tentou soletrar o que andava escrito no escuro. Debruçado, experimentou uma profunda intimidade com as trevas. Nada. Parecia que a terra havia partido e deixado apenas a solidão como vitória. Sentia secular saudade do mundo, como se há muito o houvera deixado. No escuro só o imaginário lê. Releu o que estava escrito em si mesmo. Deparou novamente com a mesma sentença aflitiva. Sentiu que a vida o enganara. Ao ganhar o nascimento, nasceu com ele uma condenação definitiva. A vida também lhe traíra sem espinhos, lastimou já sem lágrimas."


Bartolomeu Campos de Queirós


Imagem: G.Brandão

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

125 - Aparta-Te



Aparta-Te, tristeza.
Foge entre folhagens e ramos
Esconde-Te nas cenas noturnas, nas melodias

Que entoam os anos.


Entoa depressivos lamentos ou quem sabe

Oculta a face
De um membro em dor

Buscando não demonstrar seu sofrimento.


Lábios esticados em um sorriso escuro
Que some na noite, serena noite

Eternas noites
De fuga e solidão sem fim.


A. F. J.




Imagem:
G.Brandão


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

124 - Imploro -Te


Imploro-te em lágrimas
você ou à solidão.
Imploro-te que venhas
enquanto te desejo
não desejando.

Imploro-te que o brilho
Do teu suave olhar
Não seja o vilão
da dor de tua constante ausência.
Imploro-te que teu sorriso
não seja o adorno enlutado
de meu coração.

Imploro-te, Imploro-te
que ame meu ser ou despreze
meu amor
mas, jamais se afaste de mim
ainda que teu amor
se apresente num cenário abstrato.


A. F. J.



Imagem: G.Brandão

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

123 - Amigo do Cão



"Se entre Cães encontrei-Te, Amigo...
Então, entre Amigos encontrei-Te Cão!"



Para o Jean Lopes



Imagem: G.Brandão

domingo, 12 de dezembro de 2010

120 - Por Ti


Porque na noite
nossos negros corações se encontraram...
Desejo e sangue se entralaçaram.
Em despedida,
por sina, por morte,
partimos deixando raiz.
Olhar triste, salgado choro.
Somos um, somos vários,
somos loucos, somos mortais!
Idéias, ideais de um dia, uma vida,
sonhos lúgubres de um
amanhã que jamais existirá...


A. F. L.


Imagem: G.Brandão


sábado, 23 de outubro de 2010

113 - Busca


Preciso que me ajude a dar cabo de mim
Preciso que me ajude a dar cabo de mim

Porque por onde via, não vejo luar
Porque os meus dias torturam a minha mente
Porque os meus pés não acompanham o meu andar

E tu não me digas que a vida é bela
Porque minha alma não quer ouvir ou saber
Também não me doe letras de conforto

Apenas permita-me provar desse mel
Mas, mel amargo para a vida amarga
Olhos em prantos, luar a fugir

Subo ao monte quase feliz, um estranho
Da fase estranha que está a chegar
Porvir...


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

109 - Em busca de mim - sem mim


Hoje, não mais choro por ti.
Não mais sofro tua partida.
Apenas,vivo.

E porque não viver
Se você me presenteou
com o dom da vida?

Sim, viverei e saborearei
a vida a cada minuto
a cada segundo...

E viverei em homenagem a ti.
Seguirei e buscarei
na poesia uma forma
de fingir que existo.

Mas, creio que existirei
ao saber que,
de alguma forma
esse desejo será comtemplado...


A. F. J.


Terceiro lugar no Concurso Interno de Poesias - HAPC - Hospital Dr. Arnaldo Pezutti Cavalcanti

Imagem: Arquivo Pessoal

sábado, 18 de setembro de 2010

108 - Âmago


No âmago de minha alegria
Uma lânguida certeza oculta-se
Na forma de um simulado sorriso.
                                
Por  abstratos caminhos,vagueia
minha alma sem contar os passos
que se seguem.

Meu corpo adentra
por um horizonte, um suposto horizonte.
Por onde anda a aurora 
que minha vida enlaçou?

Sinceramente minha alma desconhece.
Ainda assim, meu peito caminha
por entre soluços e sorrisos em busca de um
amanhã, de um utópico amanhã"

 
Ao meu "brohter" John Louco


Imagem: Ismar Z.


sábado, 31 de julho de 2010

104 - A cruz na estrada



A cruz ali fincada,
A dor ali chorada,
Pedaço de alguém.
Espinhos do além.

Nasceu.
Surgiu.
Viveu.
Partiu.

Símbolo de um Ser.
Marca de um sofrer.
Barco que não atracou.
Vida que não vingou.
Destino que interrompeu
A vida de um ser
Que quis e não
Viveu.


A. F. J.


Imagem: Kleber Athos

quarta-feira, 21 de julho de 2010

103 - Ver - Te ( As doze árduas horas )


Por que preciso ver-te com limitações?
Quero-te por completo.
Que mundo é esse que estás vivendo hoje?
Dê-me o endereço, preciso visitá-la
Para perguntar como se faz o molho...

Você nem disse que ia partir, por que fostes assim?
Nem reparei na mesa, nem percebi o sabor do manjar...
Entrei há pouco no meu quarto... Não senti seu perfume lá
Não creio que minha realidade esteja desperta,
Acho que ela ainda dorme... Por Deus, destrua os relógios!

Não se esqueça que me prometestes que seria eu
A aguardar-te... Por que fizestes o contrário?
Agora não tenho como seguir... Então, só o que preciso
É o que não posso: tê-la de volta
Minha Mãe...


A. F. J.



Imagem: Kleber Athos

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

88 - Elegia


Restou em minhas mãos
Nada além do calor do adeus
Porém o sabor da despedida,
Jaz solene em meu viver.

O adeus fragmenta-se
Transforma-se em incontáveis pedaços,
Pedaços de solidão...

Tempo, ora amigo, ora vilão devastador
A desbastar um coração contente

Busco sem um retorno
Reconhecer em meio
As lágrimas, o cenário
Que me afastou de ti.

Hoje minha alma navega
Por entre abstratas ondas
Em busca de um motivo
Para prosseguir, para viver

O que restou de mim
Como refúgio de sua distância
Torna-se em breves momentos
Um doloroso sinal de despedida

Eis que num desejo utópico de revê-la
Meu peito soluça em prantos
Enquanto minha alma aguarda
O desfecho de um enredo
Onde a saudade é a única protagonista...

A. F. J.

"Para minha Mãe"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

85 - Incógnita


Aquilo que era real aos poucos distância-se
do que era um desejo.
A noite chega e em
seus braços adormece um noturno pássaro...
Assim, o luar com um lúgubre olhar, numa fúnebre
sinfonia, cobre a noite com lânguidos suspiros.

Eis um cenário em que, sangrentas lágrimas,
por face rolavam, e afagavam com lástimas mórbidos
lábios adornados de luto.
Sabe ela que por longos séculos,
percorrerá aquela nave... ela sabe...
sua visita é inevitável,ainda que machuque.
Nesse ato litúrgico, segue uma alma conduzida
em andor de cimento e languidamente se aproxima
de seu derradeiro destino, assim segue a noite
entre suas incógnitas trilhas"

A. F. J.

Poema publicado no site Cemiteriosp

sábado, 13 de fevereiro de 2010

82 - Tempo


" o silêncio da noite
me diz que tem a resposta
mas eis que nem lembro
0 que havia perguntado
talvez tenha sido o tempo
que meus arquivos esvaziou

não sei mais apreciar a cor da
cortina da sala. nem mais adivinho
se vai chover ou não. Tempo, tempero
do tempo, adorno, triste adorno a me
cobrir, a me furtar ásperos sorrisos
por certo com sabor de lágrimas pretéritas... "


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp


76 - Abandono


Olhos profundos,em súplica, quem ouvirá?
quem entenderá? corpo solitário ferido e
cansado. busca no horizonte sonhos, sonhos
utópicos de um futuro talvez.

Alegria que atracou em portos passados
e ali ficou, alma abstrata a desejar, ainda
que por minutos, ser o cãozinho da casa
ao lado.

Coração canino, mas CORAÇÃO, desejando
um meigo carinho ainda que momentâneo
a vontade de se entregar ainda que num afago
passageiro.

As forças se enfraquecem diante da cruel
realidade de outrora, o cão feliz, hoje nada além
de um ser, aqueles a quem chamam de
"vira latas"

Cruzam-se dias e noites, semanas e meses, tempos
acontecem, passam, não importa para alguém que
nada tem, ser sem dono é não ser. Então, para que observar
o tempo?

A fome a ferir cruelmente o estomago sem opção
O frio entristecendo o olhar,
Não tendo raça, o lar é a praça a vida assim te revela
O preconceito impera e em chutes e pedras ferem não
apenas o corpo, ferem uma alma.

A indiferença é o teu bom dia, e o "sai daqui!" é
seu "olá". Não sabe se é novo ou velho, não tem cidade
não tem seu dono, não tem idade.

Os olhos a olhar a paisagem bela desejando
quem sabe, avistar um abstrato futuro que
dará fim a sua busca das mãos que na rua
o abandonou, do coração que sua solidão
prefaciou.

Um dia, aplacou a solidão de um coração
humano. Foi alegria de um retorno para casa
um dia, ofereceu um ósculo na arte de uma
lambida desejando assim, secar possivel
lágrimas.

E sua vida segue, segue com a certeza de que
Seu amor incondicional foi deveras retribuido
com o ferimento do abandono, todavia, repousa
o corpo no leito sarjeta e espera...

Até que mancebo de vestes brancas e terno
sorriso, com lágrimas habituais ao ouvido
justifica: "é melhor assim para que pare de sofrer..."
Concorda assim, afinal o que se fazer?

Eis que alí derrama o teu futuro
Eis que a morte te abraça e ternamente
te liberta de um tão acre viver..."


(poema dedicado a todos os cães cruelmete abandonados por seus donos)


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp

Poema publicado no fotolog Campo Santo


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

70 - Lágrimas de um Anjo Caído


SIGO, CABISBAIXO, LEVO NAS MÃOS UMA NEGRA ROSA
E TENHO O PRANTO COMO CONFORTO.
A SAUDADE É MINHA CONFIDENTE
E MINHAS LÁGRIMAS É O VEU A COBRIR MEU SINCERO LUTO.
PASSOS SECOS AO MEU REDOR, ME FAZEM RECORDAR QUE VIVO.
TODAVIA, MEUS LÚGUBRES OLHOS JAMAIS OUSARIAM AVIVAR-SE.
O CORAÇÃO SEGUE... APENAS CUMPRE SUA FUNÇÃO...
ELE NÃO COMUNGA COM QUALQUER ÍNDICE DE ALEGRIA.
MURMÚRIOS INVADEM MINHA ALMA... MEU ÍNTIMO TEME O TRAVESSEIRO.

Á FRENTE QUEM VAI? AO MEU LADO QUEM ESTARIA?
MEUS OLHOS NADA VEÊM... APENAS NÚVENS..
PARA ONDE ESTÃO A LEVAR-TE?
ESTARÃO MESMO A LEVAR-TE OU SERIA APENAS UMA BREVE MUDANÇA DE LUGAR NA ESTANTE DE NOSSAS VIDAS?
TALVEZ NOS ENCONTREMOS NA OUTRA PONTA DESSA MESA...
AH, QUEM DERA HOJE, AGORA FÔSSEMOS TÃO SOMENTE OBJETOS...
ELES NÃO CHORAM...


NÃO SABERIA INTERPRETAR TANTA BELEZA NESSES ARVOREDOS
E ESSA BELEZA EM PEDRA AGORA NÃO É SEDUTORA AOS MEUS OLHOS,
TAMPOUCO OS ANJOS E SEUS CLARINS.
ASSIM COMO NÃO PERMITO-ME O ATO DE JOGAR-TE UMA ÚLTIMA ROSA,
POIS PREFIRO QUE SUA BELEZA NÃO SEJA MACULADA
NUM SIMPLES RITUALDE ÁRDUA TRISTEZA...
AOS POUCOS, O LINDO CENÁRIO FÚNEBRE É ABSORVIDO
POR PUNHADOS DE FRIAS MATRONAS CAMUFLADAS
EM MÃOS QUE EM BREVE SERÃO LAVADAS COM ASCO E EM SEGUIDA,
USADAS EM REVERÊNCIAS PAGÃS E ABSTRATAS...
E ASSIM TERMINA.. TUA VIDA
E MAIS UMA VEZ EIS QUE A CORTINA SE ABRE, MAS PARA QUE EU ENTRE
E TENTE CRIAR UMA VIDA INEXISTENTE POIS A MINHA,
REPOUSA JUNTO AO TEU CORPO NO CREPÚSCULO DE TEU JAZIGO...

A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

51 - Meus Adereços


††

O ANJO QUERIA SOBREVIVER...
POR ENTRE UM VALE DE PRANTOS E LÁGRIMAS
O ANJO VOARIA, PASSARIA POR ENTRE ESPINHOS,
E SUAS ASAS SANGRARIAM CADA VEZ MAIS...
E UMA INSUPORTÁVEL DOR DILACELARIA
CADA PARTE DO SEU NEGRO CORAÇÃO...
ENTÃO O ANJO SERIA SOMENTE E TÃO SOMENTE UMA VISÃO...
UMA LÚGUBRE VISÃO...

††

A. F. J.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

42 - Triste II


††

ENTRE ROSAS, ENTRE POMBOS,
AO SOM DE PÁSSAROS NOTURNOS,
AQUI ESTOU EU, A VISITAR TEU TÚMULO.
MINHA ALMA REPOUSA NESSE ESTRANHO AMBIENTE...
TUDO É GÉLIDO, É LÚGUBRE.
TUDO GIRA EM TORNO DO ABSTRATO, DO MISTÉRIO.
ENTRE PÉTALAS DE FLORES E GOTAS TRISTES DE LÁGRIMAS,
MEU CORPO É LENTAMENTE ARRASTADO POR ENTRE JAZIGOS E MAUSOLÉUS, MINHAS PERNAS ME CONDUZEM, MINHA MENTE ME DIRECIONA ,
MINHA ALMA ME ENVOLVE, ESTÁ GÉLIDA, ESTÁ INERTE...
INERTE ALMA, INERTE,
TODAVIA, PREENCHIDA PELA ASTUTA SEDUÇÃO DA NOITE.
MEUS OLHOS AVISTAM LÁPIDES
E NELAS O DESEJO DE ESTAR PRESENTE NUM MUNDO DESCONHECIDO.
ESTANDO AQUI, SINTO-ME APROXIMANDO DE SUA MORTE.
ESTENDO MINHAS MÃOS E OFEREÇO UMA GOTA DE LÁGRIMA,
SANGRADA DE MEUS OLHOS.
ME VISTO DE ETERNO SILÊNCIO E ENTREGO-ME
A NEGRA MAGIA DE ESTAR ENTRE OS MORTOS,
DE SENTIR QUE FINALMENTE MEU EGO ENCONTROU A PAZ...

††

A. F. J.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

41 - Fragmentos



††† † †††


" EIS A SOBRA DO MEU ÍNTIMO, OS FRAGMENTOS DA MINHA ALMA,
EM FORMA DE SENTIMENTOS ABSTRATOS E VAZIOS.
LÁGRIMAS ROXAS UMEDECEM MINHA LÂNGUIDA FACE,
E MEU PEITO VESTE-SE DE LUTO
ESPELHANDO-SE EM NEGROS CENÁRIOS.
NEGRAS
E FALECIDAS LETRAS, DEIXAM RASTROS DE SENTIMENTOS
QUE MINHA ALMA NUTRE.
CADA PALAVRA REFLETIDA EM MEU OLHAR,
ENCRAVA EM MINHAS ENTRANHAS,
UM DESEJO CRUEL DE ADENTRAR EM MINHA PRÓPRIA E INJUSTA DOR"

ANJO DAS TREVAS

††† † †††


A. F. J.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

38 - Um Dia...


UM DIA SEM QUERER, SEI QUE PARTIREI.
POR MINUTOS, TALVES HORAS, LÁGRIMAS DE OLHOS TIRAREI.
POR MESES, TALVES ANOS DE MIM SE LEMBRARÃO...
MAS NÃO MAIS AQUI ESTAREI.

UM DIA POR FORÇA DA VIDA,
SAIREI DE MIM, E SEGUIREI...
SEGUIREI PARA ONDE?
NÃO SEI DIZER,
SÓ SEI QUE PARTIREI...
E POR QUÊ PARTIREI?
REALMENTE NÃO SEI DIZER...


A. F. J.


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