NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †
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segunda-feira, 23 de maio de 2011

129 - Poética


I

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.


II

Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!


Vinicius de Moraes

Imagem: G.Brandão

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

123 - Amigo do Cão



"Se entre Cães encontrei-Te, Amigo...
Então, entre Amigos encontrei-Te Cão!"



Para o Jean Lopes



Imagem: G.Brandão

sábado, 18 de dezembro de 2010

121 - Domingo Tenebroso

Os domingos são tenebrosos
As minhas horas sem sono
Queridas as inúmeras sombras
Com as quais convivo
Pequenas flores brancas
Não te acordarão
Não onde o coche negro
Da dor te levou
Os anjos não pensam
Em te devolver jamais
Será que eles ficariam zangados
Se eu me juntasse a ti?

Domingo tenebroso

Tenebrosos são os Domingos
Passados nas sombras
O meu coração e eu
Decidimos acabar com tudo
Daqui a pouco haverão flores
E orações que dizem saber
Mas não os deixem chorar
Deixem saber
O quão feliz estou por partir
A morte não é um sonho
Pois na morte eu te acaricio
Com o último suspiro da minha alma
Eu te abençoarei

Domingo tenebroso

Sonhando
Eu estava apenas sonhando
Acordo e encontro-te a dormir
No fundo do meu coração
Meu querido, eu espero
Que o meu sonho nunca te persiga
O meu coração me diz
O quanto eu te quero

Domingo Tenebroso

Domingo Tenebroso


Rezsõ Seress







domingo, 12 de dezembro de 2010

120 - Por Ti


Porque na noite
nossos negros corações se encontraram...
Desejo e sangue se entralaçaram.
Em despedida,
por sina, por morte,
partimos deixando raiz.
Olhar triste, salgado choro.
Somos um, somos vários,
somos loucos, somos mortais!
Idéias, ideais de um dia, uma vida,
sonhos lúgubres de um
amanhã que jamais existirá...


A. F. L.


Imagem: G.Brandão


domingo, 5 de dezembro de 2010

119 - Pedaços de Vida


Nada sei de hoje,
Nem tampouco do amanhã.
Na verdade, não sei
Se o futuro alcancará meus anseios.
Não quero aguardá-lo.
Minhar forças perdem-se
e num ritual melancólico,
rosas negras adornam meus dias
fazendo-me desejar, não desejando
viver, não vivendo.
Em um campo triste
aguardo por ti
o "Advento Mortal"
e contigo, seguirei
por trilhas que até então
meu olhar desconhece...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

117 - Ser, Estar


Abruma-me o peito
com áspero sofrer.
Num ritmo macabro,
exuma-me o viver.

Parto, penso, vivo...
Sigo por entre dúvidas
que questionam minha alma,
meu destino.

Por que viver
se a morte é tão sublime?
Por que morrer
se nem tudo é sofrimento?

São incógnitas que me levam
cada vez mais a um labirinto
De abstenção, de silêncio
De escuridão e de lamentos...


A. F. J.


Poema vencedor do segundo lugar do VI Concurso de Poetas-Funcionários do HAPC - Hospital Doutor Arnaldo Pezutti Cavalcanti.

Imagem: G. Brandão

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

116 - Entre Aspas


"Vida..."
Sinônimo abstrato
Que liga a alma humana
Ao mundo dos mortais.
Que impõe viver
em um mundo desconhecido
onde tudo é quase nada
e o nada se faz em alguém.
Òh vida de ventos,
de morte, adventos,
de prantos, prazeres,
de dor e dizeres.
De tudo o que existe no mundo
do eterno abstrato...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão

sábado, 11 de setembro de 2010

107 - Escuridão


Será água, será vinho?
Uma rosa ou um espinho?
A luz, a escuridão?
O fato ou a razão?
A perda, o preço...
O que para mim seria adaga
De algo que desconheço
Minha alma me indaga...

Não vivo, mas vivo.
Se viver é avistar horizontes
Não viver é seguir morrendo
Sem vislumbrar as pontes.
Sim, por certo que ensejo
Desejo ver, mas não vejo...

Entrando na realidade
Buscando uma verdade
Não sei da vida a real tonalidade
Concretizo a tarefa de seguir vivendo
A visão não é tudo
Nunca a conheci, todavia
Minha alma dela se sinta
Enlutada - no escuro...

A. F. J.


Imagem: Marcus Vinicius


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

105 - Ida e Volta



"Não ha Ida sem Volta,
e nem há Volta sem Ida.
A Morte não é Morte
é só a porta da
Vida."



Imagem: Ismar Z.

sábado, 31 de julho de 2010

104 - A cruz na estrada



A cruz ali fincada,
A dor ali chorada,
Pedaço de alguém.
Espinhos do além.

Nasceu.
Surgiu.
Viveu.
Partiu.

Símbolo de um Ser.
Marca de um sofrer.
Barco que não atracou.
Vida que não vingou.
Destino que interrompeu
A vida de um ser
Que quis e não
Viveu.


A. F. J.


Imagem: Kleber Athos

quarta-feira, 23 de junho de 2010

101 - Femmes Damneés



À tíbia das lamparinas voluptuosas,
Sobre sensuais coxins impregnados de essência,
Sonhava Hipólita as carícias poderosas
Que lhe erguiam o véu da púbere inocência.

Ela buscava, o olhar na tempestade posto,
De sua ingenuidade o céu distante agora,
Como um viajante para trás volve o seu rosto
Em busca da manhã que já se foi embora.

Os olhos já sem viço, o preguiçoso pranto,
O ar exausto, o estupor, lúbrica moleza.
Os barcos sem ação, como armas vãs a um canto,
Tudo afinal lhe ungia a tímida beleza.

Posta a seus pés, serena e cheia de alegria,
Delfina lhe lançava à carne olhos ardentes,
Como o animal feroz que a vítima vigia,
Após havê-la antes marcado com seus dentes.

Bela e viril de joelhos ante a frágil bela,
Soberba, ela sorvia com volúpia intensa
O vinho da vitória e, acercando-se dela,
Punha-se à espera de uma doce recompensa.

No pasmo olhar da presa ela buscava aflita
Ouvir o canto que o prazer sem voz entoa,
E essa sublime gratidão que arde infinita
E, qual suspiro, sob as pálpebras escoa.

- "Hipólita, amor meu, que me dizes então?
Compreendes quão pueril é oferecer agora
Em holocausto as tuas rosas em botão
A um sopro que as pudesse espedaçar lá fora?

Meus beijos são sutis como asas erradias
Que afagam pela tarde os lagos transparentes,
Mas os de teu amante hão de escavar estrias
Como as carroças e os arados inclemente;

Sobre ti passarão qual sobre alguém pisasse
Uma junta de bois os cascos sem piedade...
Hipólita, meu bem! Volve pois tua face,
Tu, coração, que és o meu todo e és a metade,

Volve teus olhos cheios de astros como os céus!
Dá-me esse olhar que é como um bálsamo bem-vindo;
Do prazer mais sombrio eu erguerei os véus
E hei de fazer-te adormecer num sonho infindo!"

Mas Hipólita então a fronte levantando:
- "Não sou ingrata e do que fiz não me arrependo,
Minha Delfina, eu sofro e à dor vou definhando,
Como após um festim crepuscular e horrendo.

Sinto pesarem em mim graves terrores
E negros batalhões de fantasmas dispersos,
Que querem conduzir-me a fluidos corredores
Num sangüíneo horizonte em toda parte imersos.

Teremos cometido algum pecado extremo?
Explica, se é capaz, o medo que me acua:
Se me dizes: Meu anjo! Eu de alto a baixo tremo
E sinto minha boca ir em busca da tua.

Não me olhes mais assim, ó tu, meu pensamento!
Tu que eu adoro e que és enfim minha eleição,
Mesmo que fosses um fantoche fraudulento
E a própria origem dessa estranha perdição!"
 Delfina, a sacudir nervosa a crina ondeante,
E como a tripudiar sobre um tripé supremo,
O olhar fatal, gritou, despótica e arrogante:
- "E quem diante do amor ousa falar do inferno?

Maldito para sempre o sonhador inútil
Que por primeiro quis, em sua insanidade,
Enfrentando um problema insolúvel e fútil,
Às delicias do amor juntar a honestidade!

O que deseja unir, em místico projeto,
O dia com a noite, o frio com a flama,
Jamais aquecerá seu trôpego esqueleto
Àquele rubro sol que amor também se chama!

Vai, se queres, de um noivo estúpido à procura;
Abre teu peito em flor a seus beijos em fúria;
E como quem o horror ao remorso mistura,
No seio hás de exibir-me o estigma da luxúria...

Aqui somente a um mestre é licito servir-se!"
Mas Hipólita, em meio a uma enorme aflição,
De súbito gritou: - "Sinto em meu ser abrir-se
Um abismo, e este abismo é enfim meu coração!

Ardente qual vulcão, mais fundo que a tormenta,
Nada este monstro aplacará dentro de mim
E nunca há de saciar Eumênide sedenta
Que o queimará, archote em punho, até o fim.

Que os véus de nossa alcova ocultem-nos do mundo,
E que o cansaço dê repouso a tais agruras!
Quero extinguir-me no teu vórtice profundo
E no teu seio achar a paz das sepulturas!"

- Descei, descei, ó tristes vítimas sublimes,
Descei por onde o fogo arde em clarões eternos!
Mergulhai neste abismo em que todos os crimes,
Tangidos por um vento oriundo dos infernos,

Fervilham de mistura aos ásperos trovões.
Sombras dementes, ide ao fim de vosso vício;
Não poderei o ódio expulsar dos corações,
E é do prazer que há de surgir vosso suplício.

Jamais um raio há de clarear vossas cavernas;
Pelas fendas da pedra os miasmas delirantes
Infiltram-se a brilhar, assim como lanternas,
E os corpos vos penetram de odores nauseantes.

O acre prazer que vos alegra a erma existência
A sede vos aumenta e a vossa pela engelha;
E ao vento furibundo da concupiscência
Vossa carne se esgarça qual bandeira velha.

Longe dos vivos, erradias, condenadas,
Correi rumo ao deserto e ali uivai a sós;
Cumpri vosso destino, almas desordenadas,
E fugi o infinito que trazei em vós!




terça-feira, 4 de maio de 2010

95 - De Flores, Sorte e Morte



"Flores , encantos ...
O outro lado da sorte.
Enquanto enfeitam a alegria
Também enfeitam a morte."

A. F. J.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

84 - Conflitos da Alma



Óh sorte negra
notícia que chega
coração que palpita
alma que queima

medo que impera
remorso que gera
temor de uma terra
para onde quizera
jamais visitar

semblante que desce
luar que escurece
idéia que surge:futuro
não terás.

e agora destino?
o que se fazer?
cumprir minha sina,
correr contra o tempo,
me lavar em prantos?
ou a mim merecer?

pensar que a morte
não vence a sorte
que tenho um lema:
meu lema é viver !!!


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp


domingo, 14 de fevereiro de 2010

83 - Sã Esquizofrenia


" ÁS VEZES PENSO QUE MINHA ALMA VAI EXPLODIR
TENTO E NÃO CONSIGO ENCONTRAR MEU CHÃO E PARO
NESSE MOMENTO; UM VULTO DE MEDO APROXIMA-SE DE MIM
SINTO QUE ELE ME ALMEJA.
CHEGO A DESCONHECER O QUE MEUS OLHOS AVISTAM.

PENSO QUE SE DISSER ALGO NINGUÉM ENTENDERÁ
NEM AO MENOS TOMARÃO MEUS PULSOS. MINHA VIDA
ESTÁ EM FUGA. MEU QUARTO: MEU REFÚGIO! É NELE
AONDE ME TRANCO E TRANCO MINHAS ANGÚSTIAS, MINHAS
HISTÓRIAS... HISTÓRIAS QUE TALVEZ UM DIA FAÇA EMERGIR
DOS LÁBIOS TALVEZ DE UM AMIGO OU ATÉ DE UM DESAFETO,
QUEM SABE, UMA LEVIANA RECORDAÇÃO, COMO TOCANDO A PEDRA
FUNDAMENTAL DOS PRIMÓRDIOS DO ESQUECIMENTO...

NINGUEM OUVIRÁ MEU GRITO DE ANGÚSTIA, E ASSIM
MORREREI SORRINDO, OLHANDO CADA CENTÍMETRO DA
VIDA QUE ALÍ ME ABORTA E ME ENTREGANDO Á MORTE
QUE ME RECEBE. SE ME CONTAS O QUE HA DE VIR, Ó
PÁSSARO NOTURNO TE AGRADEÇO, AINDA QUE TU SEJA
APENAS, MAIS UM FRUTO DO MEU AGÔNICO DELÍRIO

A VIDA ME ABANDONOU, NUM MOMENTO DE ESCURIDÃO
MEU CORPO INÉRTE NO CHÃO SENTIU TEUS PÉS...
TENTEI INVADIR MEU EGO NA CERTEZA DE ENCONTRAR
A CHAVE DOS MEUS SEGREDOS. ÀS VEZES SINTO QUE MINHAS
IDÉIAS NÃO COMUNGAM, O QUE SERÁ DE MIM? PERGUNTO AO
VENTO, ÁS NUVES, NINGUÉM ME RESPONDE... TERÁ MESMO
CHEGADO O MOMENTO? OU É APENAS UM POEMA? NÃO, EU
NÃO O TERIA CRIADO..."

A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp

sábado, 13 de fevereiro de 2010

76 - Abandono


Olhos profundos,em súplica, quem ouvirá?
quem entenderá? corpo solitário ferido e
cansado. busca no horizonte sonhos, sonhos
utópicos de um futuro talvez.

Alegria que atracou em portos passados
e ali ficou, alma abstrata a desejar, ainda
que por minutos, ser o cãozinho da casa
ao lado.

Coração canino, mas CORAÇÃO, desejando
um meigo carinho ainda que momentâneo
a vontade de se entregar ainda que num afago
passageiro.

As forças se enfraquecem diante da cruel
realidade de outrora, o cão feliz, hoje nada além
de um ser, aqueles a quem chamam de
"vira latas"

Cruzam-se dias e noites, semanas e meses, tempos
acontecem, passam, não importa para alguém que
nada tem, ser sem dono é não ser. Então, para que observar
o tempo?

A fome a ferir cruelmente o estomago sem opção
O frio entristecendo o olhar,
Não tendo raça, o lar é a praça a vida assim te revela
O preconceito impera e em chutes e pedras ferem não
apenas o corpo, ferem uma alma.

A indiferença é o teu bom dia, e o "sai daqui!" é
seu "olá". Não sabe se é novo ou velho, não tem cidade
não tem seu dono, não tem idade.

Os olhos a olhar a paisagem bela desejando
quem sabe, avistar um abstrato futuro que
dará fim a sua busca das mãos que na rua
o abandonou, do coração que sua solidão
prefaciou.

Um dia, aplacou a solidão de um coração
humano. Foi alegria de um retorno para casa
um dia, ofereceu um ósculo na arte de uma
lambida desejando assim, secar possivel
lágrimas.

E sua vida segue, segue com a certeza de que
Seu amor incondicional foi deveras retribuido
com o ferimento do abandono, todavia, repousa
o corpo no leito sarjeta e espera...

Até que mancebo de vestes brancas e terno
sorriso, com lágrimas habituais ao ouvido
justifica: "é melhor assim para que pare de sofrer..."
Concorda assim, afinal o que se fazer?

Eis que alí derrama o teu futuro
Eis que a morte te abraça e ternamente
te liberta de um tão acre viver..."


(poema dedicado a todos os cães cruelmete abandonados por seus donos)


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp

Poema publicado no fotolog Campo Santo


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

69 - Morte


"ele diz á rosa para que permaneca acima da terra pois pelo menos por hora ela está viva mas logo morrerá também pois sua alma foi ceifada para adornar um esquife..."


A. F. J.


67 - Um dos Meus Poemas Prediletos


“Quando um último suspiro percorrer meus findos pulmões
Saberei que é chegada a hora de meu corpo desvencilhar-se
da minha cansada alma.

Nesse derradeiro instante, meus lábios apenas se moverão
E te suplicarei para que poupe meus últimos instantes de
Ver-te a lamentar-se

Não desejo que flores alegres do campo, venham adornar
Meu gélido esquife. Deixe-as em seu derradeiro campo a
Alegrar alguém ou algo que resiste.

Não entre no túnel do silêncio, não cubra teu corpo de luto.
Minha viagem é inadiável e tua vida ainda prossegue. Não
Permita que os cânticos se calem nem que suas alegrias
Se percam nos arredores da solidão.

Eu parto, como a noite, todavia não haverá troca pela manhã.
É um poeta que segue seu derradeiro destino, assim deve ser,
Pois é o dogma da vida. A cortina se fechou , e o último ato
Vem composto de um triste cenário, mas não deixa de ser
Um espetáculo.

Num último segundo minha mente me consumirá em
Vazias recordações de meu passado errante, onde talvez
Minha alma tenha me consumido.De tudo, nada levarei
Somente e tão somente, o adeus de seu olhar.

Sentirei por certo, saudades de meus tempos, se a estação
em que eu desembarcar me permitir saudades e levarei
Comigo lembranças de minha derrota para a morte...


A. F. J.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

63 - Anjo das Trevas † † †


"A MORTE NEM SEMPRE É CRUÉL.
ELA APENAS CUMPRE A MISSÃO DE CONDUZIR
TRISTES ALMAS
A UM CAMINHO ABSTRATO..."


A. F. J.


domingo, 7 de fevereiro de 2010

60 - Sem título


MEU GRITO, Ó CARA MORTE ME OUVES!!!
ME DIGAS TU DE ONDE VENS...
SINTO PERTO TEU SOPRO GELADO...
EM CADA PARTE ME AFAGA O CORPO
E BEIJA CALMAMENTE MEUS OSSOS MOÍDOS PELOS ANOS...
DEFLORA A MINHA CARNE E AOS POUCO SEREI PÓ...
ANTES QUE MEU DESEJO SE CALE...
NO ENTARDECER DE UM ÚLTIMO PÔR DO SOL...
ONDE DESPONTA A LUA...
CASTA AMANTE DE MINHA SOLIDÃO...
TEREI UM SOSSEGO...


† A l f r e d o & N í v e a †
dizem:

A ALMA SABERÁS QUE ME BEIJAS, Ó DOCE MORTE...
COMO UMA AMANTE PERFEITA...
SEM PUDOR...
SUA CARNE SE TENS CARNE... E MINHA PODRIDÃO MORTAL
SE ENTRELAÇAM EM UM SEPULCRO ETERNO
ONDE SEREI TUA POR ENTRE AS ESSÊNCIAS DA ESCURIDÃO...



Autora:
†LUA NEGRA†
GENTILMENTE CEDIDO PARA ESSE JAZIGO...


59 - Incógnita...


† A l f r e d o & N í v e a †
dizem:

††

"Caminho por longas e obscuras estradas, sem saber o final deste trajeto.
Assim sigo... Na luta contra o tempo.
Recolho-me á solidão de meu tenro destino embora meus olhos não mais o avistem...
Sei que está próximo... Sempre esteve!
Cada segundo é o destino... Destino que minha alma almeja.
Vazios pensamentos serpenteiam minha mente... Minha lúgubre mente.
Penso no que fui...
No que sou...
No que serei...
E o que serei?
As sombras, somente as sombras me têm por amante...
Amante do acaso, do abstrato de um mundo vazio.
Assim, de braços com a solidão, em forma de melancolia,vejo meus pés tocarem o chão...
Dobro meus joelhos e imploro á morte um afago, um afago apenas,
para certificar-me de que ainda estou vivo...
O frio sarcástico torna gélida minha pele e ouço os gritos de minha carne implorando por calor...
É meu trajeto...
Tenho que prosseguir, e na solidão de meus passos,
busco com minha mente
um leito onde descansarei minha alma..."

††


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