NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †
Mostrando postagens com marcador alma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alma. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de junho de 2011

132 - Pérolas partidas # 2


"NÃO APRECIO ELOGIOS,
DOU A MÍNIMA PARA CRÍTICAS,
SOU O QUE SOU
E AINDA NÃO COLOCARAM NO MUNDO
UM SER QUE ME MODELE."

A. F. L.



Imagem: Tevinhos das Trevas



quarta-feira, 15 de junho de 2011

131 - Pérolas Partidas # 1


"Para meus Amigos, meus aplausos.
Para meus inimigos, meu desprezo."

A. F. J.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

128 - Excerto e Reflexo


"... e por dormir demais naquele pôr-de-sol, o sono da noite não veio. Pôs-se de pé, caminhou pelo escuro, e se levou até a janela. Ele era dois. Um que respirava e outro que o interrogava. Abriu as bandas da janela como um livro. Tentou soletrar o que andava escrito no escuro. Debruçado, experimentou uma profunda intimidade com as trevas. Nada. Parecia que a terra havia partido e deixado apenas a solidão como vitória. Sentia secular saudade do mundo, como se há muito o houvera deixado. No escuro só o imaginário lê. Releu o que estava escrito em si mesmo. Deparou novamente com a mesma sentença aflitiva. Sentiu que a vida o enganara. Ao ganhar o nascimento, nasceu com ele uma condenação definitiva. A vida também lhe traíra sem espinhos, lastimou já sem lágrimas."


Bartolomeu Campos de Queirós


Imagem: G.Brandão

quinta-feira, 28 de abril de 2011

127 - Longevidade ( Rugas da Morte )


... Certa ocasião, em certo lugar me encontrava.
Certo lugar, incerta ilusão, me acenava
e a cada centímetro de minha
face eu nada via e por mais que tentasse,
o horizonte fugia do meu quase esgotado sonho.
Surra de expressões, entre seco e amargo outono.
Minha alma, ás voltas de muletas, que mudas de piedade,
restringem-se a apressar tal passos.
Seguros passos, em que afoita direção...
quem sabe numa lua, tão breve lua,
carne e madeira se despedirão num abstrato silêncio
um necessário silêncio,
ou quem sabe seremos apenas
a sinópse do está por vir..."

A. F. J.



Imagem: G.Brandão


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

122 - Fine anni


"De nada adiantará desejar-lhe um Ano Feliz
se você se sentar e ficar aguardando a felicidade; por isso
FAÇA O SEU MELHOR!"


A. F. J.


Imagem: G. Brandão

sábado, 18 de dezembro de 2010

121 - Domingo Tenebroso

Os domingos são tenebrosos
As minhas horas sem sono
Queridas as inúmeras sombras
Com as quais convivo
Pequenas flores brancas
Não te acordarão
Não onde o coche negro
Da dor te levou
Os anjos não pensam
Em te devolver jamais
Será que eles ficariam zangados
Se eu me juntasse a ti?

Domingo tenebroso

Tenebrosos são os Domingos
Passados nas sombras
O meu coração e eu
Decidimos acabar com tudo
Daqui a pouco haverão flores
E orações que dizem saber
Mas não os deixem chorar
Deixem saber
O quão feliz estou por partir
A morte não é um sonho
Pois na morte eu te acaricio
Com o último suspiro da minha alma
Eu te abençoarei

Domingo tenebroso

Sonhando
Eu estava apenas sonhando
Acordo e encontro-te a dormir
No fundo do meu coração
Meu querido, eu espero
Que o meu sonho nunca te persiga
O meu coração me diz
O quanto eu te quero

Domingo Tenebroso

Domingo Tenebroso


Rezsõ Seress







sexta-feira, 19 de novembro de 2010

117 - Ser, Estar


Abruma-me o peito
com áspero sofrer.
Num ritmo macabro,
exuma-me o viver.

Parto, penso, vivo...
Sigo por entre dúvidas
que questionam minha alma,
meu destino.

Por que viver
se a morte é tão sublime?
Por que morrer
se nem tudo é sofrimento?

São incógnitas que me levam
cada vez mais a um labirinto
De abstenção, de silêncio
De escuridão e de lamentos...


A. F. J.


Poema vencedor do segundo lugar do VI Concurso de Poetas-Funcionários do HAPC - Hospital Doutor Arnaldo Pezutti Cavalcanti.

Imagem: G. Brandão

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

116 - Entre Aspas


"Vida..."
Sinônimo abstrato
Que liga a alma humana
Ao mundo dos mortais.
Que impõe viver
em um mundo desconhecido
onde tudo é quase nada
e o nada se faz em alguém.
Òh vida de ventos,
de morte, adventos,
de prantos, prazeres,
de dor e dizeres.
De tudo o que existe no mundo
do eterno abstrato...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão

domingo, 7 de novembro de 2010

115 - Sem forma


Assim que o sol desponta
Minha alma adormece,
Pois as revelações do sol
Não agradam o meu ego.

Já que meus momentos
Jazem na escuridão
Meus sonhos são incompletos
Difíceis de se entender.

Mas sou eu...
Meus caminhos seguem as trevas,
Meu passado, presente, futuro,
Minha solidão.

Solidão temperada
Com os lúgubres mistérios da vida.
Assim que o sol se esconde,
Por entre o manto da noite

Minha vida recomeça
E a escuridão me embala
Com seu canto, encanto
Entre seus silenciosos braços...

A. F. J.


Imagem: G.Brandão

sábado, 30 de outubro de 2010

114 - Brinde aos inimigos


Amo os amigos que tenho
E os inimigos amo também
São eles o combustível
que faz com que a máquina
da minha índole funcione

São eles, oficina para meus olhos
através deles aprendo o
que não devo fazer, de que maneira
Não devo pensar...

Sim, amo meus inimigos já que eles
não sabem amar, ou talves até saibam,
mas, se amassem não seriam inimigos,
pois inimigos não amam amar...

Não, eles não vivem, suas almas
simplóriamente vegetam em solitária languidês
mas eles me trazem relíquias
que minha alma absorve,
eles me são úteis...


Sim, preciso de meus inimigos
eles são o lado tétrico de minha vida
e meu coração precisa atrelar-se ao
tétrico para que meu semblante adorne
com belas flores, o que de belo o universo
me oferece,

E a vocês, inimigos de minha alma
meu eterno agradecimento por me
mostrarem tudo aquilo que um ser humano
não deve ser para ser um ser humano.


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.

sábado, 23 de outubro de 2010

113 - Busca


Preciso que me ajude a dar cabo de mim
Preciso que me ajude a dar cabo de mim

Porque por onde via, não vejo luar
Porque os meus dias torturam a minha mente
Porque os meus pés não acompanham o meu andar

E tu não me digas que a vida é bela
Porque minha alma não quer ouvir ou saber
Também não me doe letras de conforto

Apenas permita-me provar desse mel
Mas, mel amargo para a vida amarga
Olhos em prantos, luar a fugir

Subo ao monte quase feliz, um estranho
Da fase estranha que está a chegar
Porvir...


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

112 - Na noite


Na longa e triste noite
Envolto em negras vestes
Meu corpo desliza por entre arbustos ressecados.
Meus olhos suplicam ao negro luar um cântico de adorno
Para um momento de exílio...
O exílio de minha alma.
É triste o meu caminhar, todavia os meus instintos
Se mostram intímos da minha tristeza.
Não tenho a resposta do que minha alma almeja
Somente tão somente, o meu desejo
É estar de mãos entrelaçadas
Com meus lúgubres momentos de intensa e abstrata solidão
E meu coração se exalta criando em si,
Uma abstrata e lânguida alegria."


A. F. L.



Imagem: G. Brandão


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

111 - Anjo das Trevas - requiem





Anjo das Trevas

Requiem

Tento escrever um poema
Cuja incógnita é você.
Não consigo.
Anjo, Monge, Guardião, Sacerdote, Irmão e Amigo
Recitá-lo é um desafio.

A inspiração não é bastante
Para descrever em versos lânguidos e abstratos
Todo o respeito que sinto.
Sigo fazendo rascunhos diversos, inexatos
Deletando palavras, planos, idéias, espaços.

Sem conseguir desterrar da escuridão
A luz, capaz de trazer á vida
O poema que te traduza
E defina teu ser, tua solidão,
Tua morte viva.

Requiem

Anjo das Trevas

sábado, 2 de outubro de 2010

110 - Platônico...


"E o que diria meu coração, se você me fizesse um brinde
com taça de cristal contendo o mais imaculado vinho...?
Certamente seria um manjar para o paladar de minha alma
que há tempos umedece seus lábios com as esponjas embebecidas
em amargos sabores da vida a que segue..."


A.F.J.


Imagem: G.Brandão

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

109 - Em busca de mim - sem mim


Hoje, não mais choro por ti.
Não mais sofro tua partida.
Apenas,vivo.

E porque não viver
Se você me presenteou
com o dom da vida?

Sim, viverei e saborearei
a vida a cada minuto
a cada segundo...

E viverei em homenagem a ti.
Seguirei e buscarei
na poesia uma forma
de fingir que existo.

Mas, creio que existirei
ao saber que,
de alguma forma
esse desejo será comtemplado...


A. F. J.


Terceiro lugar no Concurso Interno de Poesias - HAPC - Hospital Dr. Arnaldo Pezutti Cavalcanti

Imagem: Arquivo Pessoal

sábado, 18 de setembro de 2010

108 - Âmago


No âmago de minha alegria
Uma lânguida certeza oculta-se
Na forma de um simulado sorriso.
                                
Por  abstratos caminhos,vagueia
minha alma sem contar os passos
que se seguem.

Meu corpo adentra
por um horizonte, um suposto horizonte.
Por onde anda a aurora 
que minha vida enlaçou?

Sinceramente minha alma desconhece.
Ainda assim, meu peito caminha
por entre soluços e sorrisos em busca de um
amanhã, de um utópico amanhã"

 
Ao meu "brohter" John Louco


Imagem: Ismar Z.


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

106 - Obtuário


Bem antes da data presente
Meu corpo perdeu a alma
E o que restou de mim,
Se arrasta por meio de um
Abstrato sorriso de outono.
Não era essa a ideia, sei que não era
Mas hoje, continuo aqui acorrentado
A uma alegria ilusória.
Sim, falecido estou, para os dogmas
Da terra.

Se ela vai ser detentora de minha
Carcaça no futuro,
Então que o presente seja
Para mim,
Um presente...

Não quero honrar continência
Para um SENHOR
A quem não sigo...
Quero apenas seguir

E sei que meus pés conhecem o caminho,
Assim como eu conheço
A alma,
E ela não é submissa...


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

103 - Ver - Te ( As doze árduas horas )


Por que preciso ver-te com limitações?
Quero-te por completo.
Que mundo é esse que estás vivendo hoje?
Dê-me o endereço, preciso visitá-la
Para perguntar como se faz o molho...

Você nem disse que ia partir, por que fostes assim?
Nem reparei na mesa, nem percebi o sabor do manjar...
Entrei há pouco no meu quarto... Não senti seu perfume lá
Não creio que minha realidade esteja desperta,
Acho que ela ainda dorme... Por Deus, destrua os relógios!

Não se esqueça que me prometestes que seria eu
A aguardar-te... Por que fizestes o contrário?
Agora não tenho como seguir... Então, só o que preciso
É o que não posso: tê-la de volta
Minha Mãe...


A. F. J.



Imagem: Kleber Athos

quarta-feira, 23 de junho de 2010

101 - Femmes Damneés



À tíbia das lamparinas voluptuosas,
Sobre sensuais coxins impregnados de essência,
Sonhava Hipólita as carícias poderosas
Que lhe erguiam o véu da púbere inocência.

Ela buscava, o olhar na tempestade posto,
De sua ingenuidade o céu distante agora,
Como um viajante para trás volve o seu rosto
Em busca da manhã que já se foi embora.

Os olhos já sem viço, o preguiçoso pranto,
O ar exausto, o estupor, lúbrica moleza.
Os barcos sem ação, como armas vãs a um canto,
Tudo afinal lhe ungia a tímida beleza.

Posta a seus pés, serena e cheia de alegria,
Delfina lhe lançava à carne olhos ardentes,
Como o animal feroz que a vítima vigia,
Após havê-la antes marcado com seus dentes.

Bela e viril de joelhos ante a frágil bela,
Soberba, ela sorvia com volúpia intensa
O vinho da vitória e, acercando-se dela,
Punha-se à espera de uma doce recompensa.

No pasmo olhar da presa ela buscava aflita
Ouvir o canto que o prazer sem voz entoa,
E essa sublime gratidão que arde infinita
E, qual suspiro, sob as pálpebras escoa.

- "Hipólita, amor meu, que me dizes então?
Compreendes quão pueril é oferecer agora
Em holocausto as tuas rosas em botão
A um sopro que as pudesse espedaçar lá fora?

Meus beijos são sutis como asas erradias
Que afagam pela tarde os lagos transparentes,
Mas os de teu amante hão de escavar estrias
Como as carroças e os arados inclemente;

Sobre ti passarão qual sobre alguém pisasse
Uma junta de bois os cascos sem piedade...
Hipólita, meu bem! Volve pois tua face,
Tu, coração, que és o meu todo e és a metade,

Volve teus olhos cheios de astros como os céus!
Dá-me esse olhar que é como um bálsamo bem-vindo;
Do prazer mais sombrio eu erguerei os véus
E hei de fazer-te adormecer num sonho infindo!"

Mas Hipólita então a fronte levantando:
- "Não sou ingrata e do que fiz não me arrependo,
Minha Delfina, eu sofro e à dor vou definhando,
Como após um festim crepuscular e horrendo.

Sinto pesarem em mim graves terrores
E negros batalhões de fantasmas dispersos,
Que querem conduzir-me a fluidos corredores
Num sangüíneo horizonte em toda parte imersos.

Teremos cometido algum pecado extremo?
Explica, se é capaz, o medo que me acua:
Se me dizes: Meu anjo! Eu de alto a baixo tremo
E sinto minha boca ir em busca da tua.

Não me olhes mais assim, ó tu, meu pensamento!
Tu que eu adoro e que és enfim minha eleição,
Mesmo que fosses um fantoche fraudulento
E a própria origem dessa estranha perdição!"
 Delfina, a sacudir nervosa a crina ondeante,
E como a tripudiar sobre um tripé supremo,
O olhar fatal, gritou, despótica e arrogante:
- "E quem diante do amor ousa falar do inferno?

Maldito para sempre o sonhador inútil
Que por primeiro quis, em sua insanidade,
Enfrentando um problema insolúvel e fútil,
Às delicias do amor juntar a honestidade!

O que deseja unir, em místico projeto,
O dia com a noite, o frio com a flama,
Jamais aquecerá seu trôpego esqueleto
Àquele rubro sol que amor também se chama!

Vai, se queres, de um noivo estúpido à procura;
Abre teu peito em flor a seus beijos em fúria;
E como quem o horror ao remorso mistura,
No seio hás de exibir-me o estigma da luxúria...

Aqui somente a um mestre é licito servir-se!"
Mas Hipólita, em meio a uma enorme aflição,
De súbito gritou: - "Sinto em meu ser abrir-se
Um abismo, e este abismo é enfim meu coração!

Ardente qual vulcão, mais fundo que a tormenta,
Nada este monstro aplacará dentro de mim
E nunca há de saciar Eumênide sedenta
Que o queimará, archote em punho, até o fim.

Que os véus de nossa alcova ocultem-nos do mundo,
E que o cansaço dê repouso a tais agruras!
Quero extinguir-me no teu vórtice profundo
E no teu seio achar a paz das sepulturas!"

- Descei, descei, ó tristes vítimas sublimes,
Descei por onde o fogo arde em clarões eternos!
Mergulhai neste abismo em que todos os crimes,
Tangidos por um vento oriundo dos infernos,

Fervilham de mistura aos ásperos trovões.
Sombras dementes, ide ao fim de vosso vício;
Não poderei o ódio expulsar dos corações,
E é do prazer que há de surgir vosso suplício.

Jamais um raio há de clarear vossas cavernas;
Pelas fendas da pedra os miasmas delirantes
Infiltram-se a brilhar, assim como lanternas,
E os corpos vos penetram de odores nauseantes.

O acre prazer que vos alegra a erma existência
A sede vos aumenta e a vossa pela engelha;
E ao vento furibundo da concupiscência
Vossa carne se esgarça qual bandeira velha.

Longe dos vivos, erradias, condenadas,
Correi rumo ao deserto e ali uivai a sós;
Cumpri vosso destino, almas desordenadas,
E fugi o infinito que trazei em vós!




sexta-feira, 16 de abril de 2010

94 - Intraduzível



""É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão
silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos
são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."

Clarice Lispector



Related Posts with Thumbnails