NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

sábado, 30 de outubro de 2010

114 - Brinde aos inimigos


Amo os amigos que tenho
E os inimigos amo também
São eles o combustível
que faz com que a máquina
da minha índole funcione

São eles, oficina para meus olhos
através deles aprendo o
que não devo fazer, de que maneira
Não devo pensar...

Sim, amo meus inimigos já que eles
não sabem amar, ou talves até saibam,
mas, se amassem não seriam inimigos,
pois inimigos não amam amar...

Não, eles não vivem, suas almas
simplóriamente vegetam em solitária languidês
mas eles me trazem relíquias
que minha alma absorve,
eles me são úteis...


Sim, preciso de meus inimigos
eles são o lado tétrico de minha vida
e meu coração precisa atrelar-se ao
tétrico para que meu semblante adorne
com belas flores, o que de belo o universo
me oferece,

E a vocês, inimigos de minha alma
meu eterno agradecimento por me
mostrarem tudo aquilo que um ser humano
não deve ser para ser um ser humano.


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.

sábado, 23 de outubro de 2010

113 - Busca


Preciso que me ajude a dar cabo de mim
Preciso que me ajude a dar cabo de mim

Porque por onde via, não vejo luar
Porque os meus dias torturam a minha mente
Porque os meus pés não acompanham o meu andar

E tu não me digas que a vida é bela
Porque minha alma não quer ouvir ou saber
Também não me doe letras de conforto

Apenas permita-me provar desse mel
Mas, mel amargo para a vida amarga
Olhos em prantos, luar a fugir

Subo ao monte quase feliz, um estranho
Da fase estranha que está a chegar
Porvir...


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

112 - Na noite


Na longa e triste noite
Envolto em negras vestes
Meu corpo desliza por entre arbustos ressecados.
Meus olhos suplicam ao negro luar um cântico de adorno
Para um momento de exílio...
O exílio de minha alma.
É triste o meu caminhar, todavia os meus instintos
Se mostram intímos da minha tristeza.
Não tenho a resposta do que minha alma almeja
Somente tão somente, o meu desejo
É estar de mãos entrelaçadas
Com meus lúgubres momentos de intensa e abstrata solidão
E meu coração se exalta criando em si,
Uma abstrata e lânguida alegria."


A. F. L.



Imagem: G. Brandão


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

111 - Anjo das Trevas - requiem





Anjo das Trevas

Requiem

Tento escrever um poema
Cuja incógnita é você.
Não consigo.
Anjo, Monge, Guardião, Sacerdote, Irmão e Amigo
Recitá-lo é um desafio.

A inspiração não é bastante
Para descrever em versos lânguidos e abstratos
Todo o respeito que sinto.
Sigo fazendo rascunhos diversos, inexatos
Deletando palavras, planos, idéias, espaços.

Sem conseguir desterrar da escuridão
A luz, capaz de trazer á vida
O poema que te traduza
E defina teu ser, tua solidão,
Tua morte viva.

Requiem

Anjo das Trevas

sábado, 2 de outubro de 2010

110 - Platônico...


"E o que diria meu coração, se você me fizesse um brinde
com taça de cristal contendo o mais imaculado vinho...?
Certamente seria um manjar para o paladar de minha alma
que há tempos umedece seus lábios com as esponjas embebecidas
em amargos sabores da vida a que segue..."


A.F.J.


Imagem: G.Brandão
Related Posts with Thumbnails