NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †
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quarta-feira, 11 de maio de 2011

128 - Excerto e Reflexo


"... e por dormir demais naquele pôr-de-sol, o sono da noite não veio. Pôs-se de pé, caminhou pelo escuro, e se levou até a janela. Ele era dois. Um que respirava e outro que o interrogava. Abriu as bandas da janela como um livro. Tentou soletrar o que andava escrito no escuro. Debruçado, experimentou uma profunda intimidade com as trevas. Nada. Parecia que a terra havia partido e deixado apenas a solidão como vitória. Sentia secular saudade do mundo, como se há muito o houvera deixado. No escuro só o imaginário lê. Releu o que estava escrito em si mesmo. Deparou novamente com a mesma sentença aflitiva. Sentiu que a vida o enganara. Ao ganhar o nascimento, nasceu com ele uma condenação definitiva. A vida também lhe traíra sem espinhos, lastimou já sem lágrimas."


Bartolomeu Campos de Queirós


Imagem: G.Brandão

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

125 - Aparta-Te



Aparta-Te, tristeza.
Foge entre folhagens e ramos
Esconde-Te nas cenas noturnas, nas melodias

Que entoam os anos.


Entoa depressivos lamentos ou quem sabe

Oculta a face
De um membro em dor

Buscando não demonstrar seu sofrimento.


Lábios esticados em um sorriso escuro
Que some na noite, serena noite

Eternas noites
De fuga e solidão sem fim.


A. F. J.




Imagem:
G.Brandão


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

124 - Imploro -Te


Imploro-te em lágrimas
você ou à solidão.
Imploro-te que venhas
enquanto te desejo
não desejando.

Imploro-te que o brilho
Do teu suave olhar
Não seja o vilão
da dor de tua constante ausência.
Imploro-te que teu sorriso
não seja o adorno enlutado
de meu coração.

Imploro-te, Imploro-te
que ame meu ser ou despreze
meu amor
mas, jamais se afaste de mim
ainda que teu amor
se apresente num cenário abstrato.


A. F. J.



Imagem: G.Brandão

domingo, 28 de novembro de 2010

118 - Sem rosas


Não arrisque amar-me
sem meu prévio consentimento.
Nem tampouco ofereça-me flores.
Não culpe-me se para ti não sorrio.
Pois, sou triste.
Sou assim, sozinho, melancólico
e vivo meu mundo.
Um mundo de mistérios,
os quais não desejo revelar.
Se tua felicidade baseia-se
em meus caminhos,
viva outros momentos
pois, sou uma incógnita.
Vivo em um mundo sombrio
onde existe lugar somente
para mim e minha solidão...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão

domingo, 7 de novembro de 2010

115 - Sem forma


Assim que o sol desponta
Minha alma adormece,
Pois as revelações do sol
Não agradam o meu ego.

Já que meus momentos
Jazem na escuridão
Meus sonhos são incompletos
Difíceis de se entender.

Mas sou eu...
Meus caminhos seguem as trevas,
Meu passado, presente, futuro,
Minha solidão.

Solidão temperada
Com os lúgubres mistérios da vida.
Assim que o sol se esconde,
Por entre o manto da noite

Minha vida recomeça
E a escuridão me embala
Com seu canto, encanto
Entre seus silenciosos braços...

A. F. J.


Imagem: G.Brandão

terça-feira, 19 de outubro de 2010

112 - Na noite


Na longa e triste noite
Envolto em negras vestes
Meu corpo desliza por entre arbustos ressecados.
Meus olhos suplicam ao negro luar um cântico de adorno
Para um momento de exílio...
O exílio de minha alma.
É triste o meu caminhar, todavia os meus instintos
Se mostram intímos da minha tristeza.
Não tenho a resposta do que minha alma almeja
Somente tão somente, o meu desejo
É estar de mãos entrelaçadas
Com meus lúgubres momentos de intensa e abstrata solidão
E meu coração se exalta criando em si,
Uma abstrata e lânguida alegria."


A. F. L.



Imagem: G. Brandão


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

111 - Anjo das Trevas - requiem





Anjo das Trevas

Requiem

Tento escrever um poema
Cuja incógnita é você.
Não consigo.
Anjo, Monge, Guardião, Sacerdote, Irmão e Amigo
Recitá-lo é um desafio.

A inspiração não é bastante
Para descrever em versos lânguidos e abstratos
Todo o respeito que sinto.
Sigo fazendo rascunhos diversos, inexatos
Deletando palavras, planos, idéias, espaços.

Sem conseguir desterrar da escuridão
A luz, capaz de trazer á vida
O poema que te traduza
E defina teu ser, tua solidão,
Tua morte viva.

Requiem

Anjo das Trevas

domingo, 9 de maio de 2010

96 - PRESENÇA


UM POEMA SOBRE A (IN)EXISTÊNCIA

um poema, only...

PRESENÇA

Estou aqui,
Aqui estou

Aqui vivendo

Aqui ficando

Aqui sofrendo

Aqui penando

Aqui crescendo

Aqui pensando

Aqui moendo

Aqui minguando

Aqui desaparecendo

Aqui sonhando

Aqui envelhecendo

Aqui lutando

Aqui correndo

Aqui vagando

Aqui entristecendo

Aqui ecoando

Aqui estando

Estou aqui,

No vazio,

Mas estou aqui.

terça-feira, 13 de abril de 2010

92 - Frio

"Tempos assim frios, costumam me deprimir.
Tempos assim em que o céu está cinza, não vejo vida.
Vivendo de poucos momentos bons algo tão longo como a vida.
Há tempos não vejo um sorriso sincero.
Há tempos não respiro."

Engel Tot, Tag Tot



domingo, 4 de abril de 2010

91 - "Arroubo"


"Não ouse roubar a minha solidão, se não fores capaz de me fazer real companhia."

Nietzsche



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