NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

segunda-feira, 6 de junho de 2011

130 - O pensamento de Epicurus de Samos


"Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz?
Então não é onipotente.

É capaz, mas não deseja?
Então é malevolente.

É capaz e deseja?
Então por que o mal existe?

Não é capaz e nem deseja?
Então por que lhe chamamos Deus?"


Epicurus de Samos (341-270 AC)


Imagem: G. Brandão


segunda-feira, 23 de maio de 2011

129 - Poética


I

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.


II

Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!


Vinicius de Moraes

Imagem: G.Brandão

quarta-feira, 11 de maio de 2011

128 - Excerto e Reflexo


"... e por dormir demais naquele pôr-de-sol, o sono da noite não veio. Pôs-se de pé, caminhou pelo escuro, e se levou até a janela. Ele era dois. Um que respirava e outro que o interrogava. Abriu as bandas da janela como um livro. Tentou soletrar o que andava escrito no escuro. Debruçado, experimentou uma profunda intimidade com as trevas. Nada. Parecia que a terra havia partido e deixado apenas a solidão como vitória. Sentia secular saudade do mundo, como se há muito o houvera deixado. No escuro só o imaginário lê. Releu o que estava escrito em si mesmo. Deparou novamente com a mesma sentença aflitiva. Sentiu que a vida o enganara. Ao ganhar o nascimento, nasceu com ele uma condenação definitiva. A vida também lhe traíra sem espinhos, lastimou já sem lágrimas."


Bartolomeu Campos de Queirós


Imagem: G.Brandão

quinta-feira, 28 de abril de 2011

127 - Longevidade ( Rugas da Morte )


... Certa ocasião, em certo lugar me encontrava.
Certo lugar, incerta ilusão, me acenava
e a cada centímetro de minha
face eu nada via e por mais que tentasse,
o horizonte fugia do meu quase esgotado sonho.
Surra de expressões, entre seco e amargo outono.
Minha alma, ás voltas de muletas, que mudas de piedade,
restringem-se a apressar tal passos.
Seguros passos, em que afoita direção...
quem sabe numa lua, tão breve lua,
carne e madeira se despedirão num abstrato silêncio
um necessário silêncio,
ou quem sabe seremos apenas
a sinópse do está por vir..."

A. F. J.



Imagem: G.Brandão


sábado, 19 de março de 2011

126 - Visões




FELIX ANIVERSARIUM

A. F. J.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

125 - Aparta-Te



Aparta-Te, tristeza.
Foge entre folhagens e ramos
Esconde-Te nas cenas noturnas, nas melodias

Que entoam os anos.


Entoa depressivos lamentos ou quem sabe

Oculta a face
De um membro em dor

Buscando não demonstrar seu sofrimento.


Lábios esticados em um sorriso escuro
Que some na noite, serena noite

Eternas noites
De fuga e solidão sem fim.


A. F. J.




Imagem:
G.Brandão


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

124 - Imploro -Te


Imploro-te em lágrimas
você ou à solidão.
Imploro-te que venhas
enquanto te desejo
não desejando.

Imploro-te que o brilho
Do teu suave olhar
Não seja o vilão
da dor de tua constante ausência.
Imploro-te que teu sorriso
não seja o adorno enlutado
de meu coração.

Imploro-te, Imploro-te
que ame meu ser ou despreze
meu amor
mas, jamais se afaste de mim
ainda que teu amor
se apresente num cenário abstrato.


A. F. J.



Imagem: G.Brandão
Related Posts with Thumbnails