NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

sábado, 20 de fevereiro de 2010

90 - Obrigado


Muito obrigado a você que me fez morrer a cada dia

Que não notou o sorriso que pra ti preparei com amor

Muito obrigado por distanciar-se quando de ti, me aproximei.


Muito obrigado por não ser capaz de interpretar

O poema que pra ti recitei em forma de lamento

Obrigado por não ter deixado que eu revelasse o meu amor.


Obrigado por não ter notado o quanto eu te amava

Obrigado por não ter sido capaz de decifrar a incógnita,

que se formou em meu peito,

no momento em que te conheci.


Obrigado por não ter notado, que ao te encontrar,

eu comecei a viver.

Enfim, obrigado por não ter permitido

que minha vida seguisse adiante.


Hoje minha alma jaz num leito de sombras

e meu coração sangra a cada segundo,

disso que chamam de "vida".


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp
Poema publicado no site Spectrum Gothic

89 - Retrato



Daquilo que sou, daquilo que fui, do que serei
Numa negra moldura envolta em laços barrocos
Onde sonhei e hoje sou um utópico sonho.
Talvez haja uma resposta.
De nada servirá seu teor, ou estará seu destinatário
A viajar por entre abstratas nuvens.

Seus segredos, seus mistérios soltos numa nova imensidão
Uma desconhecida, abstrata imensidão.
Serei então foco de olhares, saudosos
talvez de um quem sabe,
eterno, sensível poeta

E ali permanecerei, tendo meus olhos
Como guardiões do cenário que me fará prisioneiro.
Agora fica aos olhos minha matéria, pois meu amâgo partirá
Por entre gélidas nuvens, nesse abstrato horizonte.
Agora, nada mais sou além de um pássaro
Navegando em instrospecto

Minha vida segue, seu percurso me inundou de ausência
Mas, também me adornou de ósculos, sim tive meus momentos
De eterno jardim perfumado que me embalaram em noites
Em que eu jazia em busca de um morto coração
Na fuga de vãs palavras armadas de indagações.

Todos os meus papéis findam-se aqui,
Palavras e cantos, abraços e prantos
Aqui sepultarei, por quais caminhos irei
Não tenho em minha confusa mente,
Mas, sei que irei na certeza que entre
Acertos errei, entre erros acertei

E num ritual de solidão oculta,
minha alma criou essa tela, onde enfim
Sentirei perpetuada minha inerte imagem...


A. F. J.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

88 - Elegia


Restou em minhas mãos
Nada além do calor do adeus
Porém o sabor da despedida,
Jaz solene em meu viver.

O adeus fragmenta-se
Transforma-se em incontáveis pedaços,
Pedaços de solidão...

Tempo, ora amigo, ora vilão devastador
A desbastar um coração contente

Busco sem um retorno
Reconhecer em meio
As lágrimas, o cenário
Que me afastou de ti.

Hoje minha alma navega
Por entre abstratas ondas
Em busca de um motivo
Para prosseguir, para viver

O que restou de mim
Como refúgio de sua distância
Torna-se em breves momentos
Um doloroso sinal de despedida

Eis que num desejo utópico de revê-la
Meu peito soluça em prantos
Enquanto minha alma aguarda
O desfecho de um enredo
Onde a saudade é a única protagonista...

A. F. J.

"Para minha Mãe"

87 - Liberto


Liberto o tempo
Do meu pensamento imperfeito.
Vida minha inserida em branca tela
Resvala, desliza por sob
Brandas camadas.

Sim, perfeito viver, embora a dor
Adotando um sorriso
Com a sombra de uma satisfação utópica
Por certa feita chegou
Mas, por completo não atracou
Em casual destino.

Forte, tão maioral
Grito ao silêncio.
Para quem? Quem ouvirá?
Talvez nos ouvidos de algum flagelado
Soe o meu grito silencioso e murmurante
De uma abstrata dor...

A. F. J.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

86 - Em Busca de Mim


Hoje procuro no tempo, respostas para minha dor.
Sinceramente eu não sabia o preço a pagar
Por um dia ter sido feliz.
Saudades de tenros momentos em que ainda
Por frações de segundos, talvez,
Vaguei por obscuras alegrias

Talvez tenha sido o tempo, o vilão a me atraiçoar
Quem sabe a minha alma adormecia
Enquanto meu destino um cálice me reservava...
Eis que me é servido em tempos de cólera.
Destino, vilão a se insinuar num lugúbre espetáculo
Minha alma desliza em um cenário novo, desconhecido...

Num crepúsculo cenário, resta-me prosseguir,
Até um destino o qual minha alma desconhece
Mas, meu peito soluça.
Pede-me ânimo e a vida me convida a seguir...
E eis que meu peito indaga:
"Qual o caminho? Qual será a trilha da incerteza
Que devo seguir?

Minha alma deseja sim, um espaço para prosseguir,
Entretanto, esse espaço, adorna-se de ásperos espinhos
A ferir meus pés.
Todavia, é esse o meu caminho, e a minha caminhada
Torna-se inadiável em busca do tempo que
Segundo lendas, abrandará a minha dor...

A. F. J.


85 - Incógnita


Aquilo que era real aos poucos distância-se
do que era um desejo.
A noite chega e em
seus braços adormece um noturno pássaro...
Assim, o luar com um lúgubre olhar, numa fúnebre
sinfonia, cobre a noite com lânguidos suspiros.

Eis um cenário em que, sangrentas lágrimas,
por face rolavam, e afagavam com lástimas mórbidos
lábios adornados de luto.
Sabe ela que por longos séculos,
percorrerá aquela nave... ela sabe...
sua visita é inevitável,ainda que machuque.
Nesse ato litúrgico, segue uma alma conduzida
em andor de cimento e languidamente se aproxima
de seu derradeiro destino, assim segue a noite
entre suas incógnitas trilhas"

A. F. J.

Poema publicado no site Cemiteriosp

84 - Conflitos da Alma



Óh sorte negra
notícia que chega
coração que palpita
alma que queima

medo que impera
remorso que gera
temor de uma terra
para onde quizera
jamais visitar

semblante que desce
luar que escurece
idéia que surge:futuro
não terás.

e agora destino?
o que se fazer?
cumprir minha sina,
correr contra o tempo,
me lavar em prantos?
ou a mim merecer?

pensar que a morte
não vence a sorte
que tenho um lema:
meu lema é viver !!!


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp


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