NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

domingo, 28 de novembro de 2010

118 - Sem rosas


Não arrisque amar-me
sem meu prévio consentimento.
Nem tampouco ofereça-me flores.
Não culpe-me se para ti não sorrio.
Pois, sou triste.
Sou assim, sozinho, melancólico
e vivo meu mundo.
Um mundo de mistérios,
os quais não desejo revelar.
Se tua felicidade baseia-se
em meus caminhos,
viva outros momentos
pois, sou uma incógnita.
Vivo em um mundo sombrio
onde existe lugar somente
para mim e minha solidão...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

117 - Ser, Estar


Abruma-me o peito
com áspero sofrer.
Num ritmo macabro,
exuma-me o viver.

Parto, penso, vivo...
Sigo por entre dúvidas
que questionam minha alma,
meu destino.

Por que viver
se a morte é tão sublime?
Por que morrer
se nem tudo é sofrimento?

São incógnitas que me levam
cada vez mais a um labirinto
De abstenção, de silêncio
De escuridão e de lamentos...


A. F. J.


Poema vencedor do segundo lugar do VI Concurso de Poetas-Funcionários do HAPC - Hospital Doutor Arnaldo Pezutti Cavalcanti.

Imagem: G. Brandão

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

116 - Entre Aspas


"Vida..."
Sinônimo abstrato
Que liga a alma humana
Ao mundo dos mortais.
Que impõe viver
em um mundo desconhecido
onde tudo é quase nada
e o nada se faz em alguém.
Òh vida de ventos,
de morte, adventos,
de prantos, prazeres,
de dor e dizeres.
De tudo o que existe no mundo
do eterno abstrato...


A. F. J.


Imagem: G.Brandão

domingo, 7 de novembro de 2010

115 - Sem forma


Assim que o sol desponta
Minha alma adormece,
Pois as revelações do sol
Não agradam o meu ego.

Já que meus momentos
Jazem na escuridão
Meus sonhos são incompletos
Difíceis de se entender.

Mas sou eu...
Meus caminhos seguem as trevas,
Meu passado, presente, futuro,
Minha solidão.

Solidão temperada
Com os lúgubres mistérios da vida.
Assim que o sol se esconde,
Por entre o manto da noite

Minha vida recomeça
E a escuridão me embala
Com seu canto, encanto
Entre seus silenciosos braços...

A. F. J.


Imagem: G.Brandão

sábado, 30 de outubro de 2010

114 - Brinde aos inimigos


Amo os amigos que tenho
E os inimigos amo também
São eles o combustível
que faz com que a máquina
da minha índole funcione

São eles, oficina para meus olhos
através deles aprendo o
que não devo fazer, de que maneira
Não devo pensar...

Sim, amo meus inimigos já que eles
não sabem amar, ou talves até saibam,
mas, se amassem não seriam inimigos,
pois inimigos não amam amar...

Não, eles não vivem, suas almas
simplóriamente vegetam em solitária languidês
mas eles me trazem relíquias
que minha alma absorve,
eles me são úteis...


Sim, preciso de meus inimigos
eles são o lado tétrico de minha vida
e meu coração precisa atrelar-se ao
tétrico para que meu semblante adorne
com belas flores, o que de belo o universo
me oferece,

E a vocês, inimigos de minha alma
meu eterno agradecimento por me
mostrarem tudo aquilo que um ser humano
não deve ser para ser um ser humano.


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.

sábado, 23 de outubro de 2010

113 - Busca


Preciso que me ajude a dar cabo de mim
Preciso que me ajude a dar cabo de mim

Porque por onde via, não vejo luar
Porque os meus dias torturam a minha mente
Porque os meus pés não acompanham o meu andar

E tu não me digas que a vida é bela
Porque minha alma não quer ouvir ou saber
Também não me doe letras de conforto

Apenas permita-me provar desse mel
Mas, mel amargo para a vida amarga
Olhos em prantos, luar a fugir

Subo ao monte quase feliz, um estranho
Da fase estranha que está a chegar
Porvir...


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

112 - Na noite


Na longa e triste noite
Envolto em negras vestes
Meu corpo desliza por entre arbustos ressecados.
Meus olhos suplicam ao negro luar um cântico de adorno
Para um momento de exílio...
O exílio de minha alma.
É triste o meu caminhar, todavia os meus instintos
Se mostram intímos da minha tristeza.
Não tenho a resposta do que minha alma almeja
Somente tão somente, o meu desejo
É estar de mãos entrelaçadas
Com meus lúgubres momentos de intensa e abstrata solidão
E meu coração se exalta criando em si,
Uma abstrata e lânguida alegria."


A. F. L.



Imagem: G. Brandão


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