NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

88 - Elegia


Restou em minhas mãos
Nada além do calor do adeus
Porém o sabor da despedida,
Jaz solene em meu viver.

O adeus fragmenta-se
Transforma-se em incontáveis pedaços,
Pedaços de solidão...

Tempo, ora amigo, ora vilão devastador
A desbastar um coração contente

Busco sem um retorno
Reconhecer em meio
As lágrimas, o cenário
Que me afastou de ti.

Hoje minha alma navega
Por entre abstratas ondas
Em busca de um motivo
Para prosseguir, para viver

O que restou de mim
Como refúgio de sua distância
Torna-se em breves momentos
Um doloroso sinal de despedida

Eis que num desejo utópico de revê-la
Meu peito soluça em prantos
Enquanto minha alma aguarda
O desfecho de um enredo
Onde a saudade é a única protagonista...

A. F. J.

"Para minha Mãe"

87 - Liberto


Liberto o tempo
Do meu pensamento imperfeito.
Vida minha inserida em branca tela
Resvala, desliza por sob
Brandas camadas.

Sim, perfeito viver, embora a dor
Adotando um sorriso
Com a sombra de uma satisfação utópica
Por certa feita chegou
Mas, por completo não atracou
Em casual destino.

Forte, tão maioral
Grito ao silêncio.
Para quem? Quem ouvirá?
Talvez nos ouvidos de algum flagelado
Soe o meu grito silencioso e murmurante
De uma abstrata dor...

A. F. J.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

86 - Em Busca de Mim


Hoje procuro no tempo, respostas para minha dor.
Sinceramente eu não sabia o preço a pagar
Por um dia ter sido feliz.
Saudades de tenros momentos em que ainda
Por frações de segundos, talvez,
Vaguei por obscuras alegrias

Talvez tenha sido o tempo, o vilão a me atraiçoar
Quem sabe a minha alma adormecia
Enquanto meu destino um cálice me reservava...
Eis que me é servido em tempos de cólera.
Destino, vilão a se insinuar num lugúbre espetáculo
Minha alma desliza em um cenário novo, desconhecido...

Num crepúsculo cenário, resta-me prosseguir,
Até um destino o qual minha alma desconhece
Mas, meu peito soluça.
Pede-me ânimo e a vida me convida a seguir...
E eis que meu peito indaga:
"Qual o caminho? Qual será a trilha da incerteza
Que devo seguir?

Minha alma deseja sim, um espaço para prosseguir,
Entretanto, esse espaço, adorna-se de ásperos espinhos
A ferir meus pés.
Todavia, é esse o meu caminho, e a minha caminhada
Torna-se inadiável em busca do tempo que
Segundo lendas, abrandará a minha dor...

A. F. J.


85 - Incógnita


Aquilo que era real aos poucos distância-se
do que era um desejo.
A noite chega e em
seus braços adormece um noturno pássaro...
Assim, o luar com um lúgubre olhar, numa fúnebre
sinfonia, cobre a noite com lânguidos suspiros.

Eis um cenário em que, sangrentas lágrimas,
por face rolavam, e afagavam com lástimas mórbidos
lábios adornados de luto.
Sabe ela que por longos séculos,
percorrerá aquela nave... ela sabe...
sua visita é inevitável,ainda que machuque.
Nesse ato litúrgico, segue uma alma conduzida
em andor de cimento e languidamente se aproxima
de seu derradeiro destino, assim segue a noite
entre suas incógnitas trilhas"

A. F. J.

Poema publicado no site Cemiteriosp

84 - Conflitos da Alma



Óh sorte negra
notícia que chega
coração que palpita
alma que queima

medo que impera
remorso que gera
temor de uma terra
para onde quizera
jamais visitar

semblante que desce
luar que escurece
idéia que surge:futuro
não terás.

e agora destino?
o que se fazer?
cumprir minha sina,
correr contra o tempo,
me lavar em prantos?
ou a mim merecer?

pensar que a morte
não vence a sorte
que tenho um lema:
meu lema é viver !!!


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp


domingo, 14 de fevereiro de 2010

83 - Sã Esquizofrenia


" ÁS VEZES PENSO QUE MINHA ALMA VAI EXPLODIR
TENTO E NÃO CONSIGO ENCONTRAR MEU CHÃO E PARO
NESSE MOMENTO; UM VULTO DE MEDO APROXIMA-SE DE MIM
SINTO QUE ELE ME ALMEJA.
CHEGO A DESCONHECER O QUE MEUS OLHOS AVISTAM.

PENSO QUE SE DISSER ALGO NINGUÉM ENTENDERÁ
NEM AO MENOS TOMARÃO MEUS PULSOS. MINHA VIDA
ESTÁ EM FUGA. MEU QUARTO: MEU REFÚGIO! É NELE
AONDE ME TRANCO E TRANCO MINHAS ANGÚSTIAS, MINHAS
HISTÓRIAS... HISTÓRIAS QUE TALVEZ UM DIA FAÇA EMERGIR
DOS LÁBIOS TALVEZ DE UM AMIGO OU ATÉ DE UM DESAFETO,
QUEM SABE, UMA LEVIANA RECORDAÇÃO, COMO TOCANDO A PEDRA
FUNDAMENTAL DOS PRIMÓRDIOS DO ESQUECIMENTO...

NINGUEM OUVIRÁ MEU GRITO DE ANGÚSTIA, E ASSIM
MORREREI SORRINDO, OLHANDO CADA CENTÍMETRO DA
VIDA QUE ALÍ ME ABORTA E ME ENTREGANDO Á MORTE
QUE ME RECEBE. SE ME CONTAS O QUE HA DE VIR, Ó
PÁSSARO NOTURNO TE AGRADEÇO, AINDA QUE TU SEJA
APENAS, MAIS UM FRUTO DO MEU AGÔNICO DELÍRIO

A VIDA ME ABANDONOU, NUM MOMENTO DE ESCURIDÃO
MEU CORPO INÉRTE NO CHÃO SENTIU TEUS PÉS...
TENTEI INVADIR MEU EGO NA CERTEZA DE ENCONTRAR
A CHAVE DOS MEUS SEGREDOS. ÀS VEZES SINTO QUE MINHAS
IDÉIAS NÃO COMUNGAM, O QUE SERÁ DE MIM? PERGUNTO AO
VENTO, ÁS NUVES, NINGUÉM ME RESPONDE... TERÁ MESMO
CHEGADO O MOMENTO? OU É APENAS UM POEMA? NÃO, EU
NÃO O TERIA CRIADO..."

A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp

sábado, 13 de fevereiro de 2010

82 - Tempo


" o silêncio da noite
me diz que tem a resposta
mas eis que nem lembro
0 que havia perguntado
talvez tenha sido o tempo
que meus arquivos esvaziou

não sei mais apreciar a cor da
cortina da sala. nem mais adivinho
se vai chover ou não. Tempo, tempero
do tempo, adorno, triste adorno a me
cobrir, a me furtar ásperos sorrisos
por certo com sabor de lágrimas pretéritas... "


A. F. J.


Poema publicado no site Cemiteriosp


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