NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

88 - Elegia


Restou em minhas mãos
Nada além do calor do adeus
Porém o sabor da despedida,
Jaz solene em meu viver.

O adeus fragmenta-se
Transforma-se em incontáveis pedaços,
Pedaços de solidão...

Tempo, ora amigo, ora vilão devastador
A desbastar um coração contente

Busco sem um retorno
Reconhecer em meio
As lágrimas, o cenário
Que me afastou de ti.

Hoje minha alma navega
Por entre abstratas ondas
Em busca de um motivo
Para prosseguir, para viver

O que restou de mim
Como refúgio de sua distância
Torna-se em breves momentos
Um doloroso sinal de despedida

Eis que num desejo utópico de revê-la
Meu peito soluça em prantos
Enquanto minha alma aguarda
O desfecho de um enredo
Onde a saudade é a única protagonista...

A. F. J.

"Para minha Mãe"

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