
I
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.
II
Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.
E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.
Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)
Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!
Vinicius de Moraes
Imagem: G.Brandão
2 comentários:
Não convido ninguém. A vida, assim como a morte é minha. Só minha.
Meu amigo querido,
Gosto muito de pensar que viver é um eterno morrer e renascer ... Talvez esperamos algumas vezes por um momento mais sublime e familiar nesse ciclo ...
Porém para morrermos devemos antes ter sabido ao menos um pouco vivermos ... a arte mais difícil existente!!!
Beijo no seu coração
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