NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

109 - Em busca de mim - sem mim


Hoje, não mais choro por ti.
Não mais sofro tua partida.
Apenas,vivo.

E porque não viver
Se você me presenteou
com o dom da vida?

Sim, viverei e saborearei
a vida a cada minuto
a cada segundo...

E viverei em homenagem a ti.
Seguirei e buscarei
na poesia uma forma
de fingir que existo.

Mas, creio que existirei
ao saber que,
de alguma forma
esse desejo será comtemplado...


A. F. J.


Terceiro lugar no Concurso Interno de Poesias - HAPC - Hospital Dr. Arnaldo Pezutti Cavalcanti

Imagem: Arquivo Pessoal

sábado, 18 de setembro de 2010

108 - Âmago


No âmago de minha alegria
Uma lânguida certeza oculta-se
Na forma de um simulado sorriso.
                                
Por  abstratos caminhos,vagueia
minha alma sem contar os passos
que se seguem.

Meu corpo adentra
por um horizonte, um suposto horizonte.
Por onde anda a aurora 
que minha vida enlaçou?

Sinceramente minha alma desconhece.
Ainda assim, meu peito caminha
por entre soluços e sorrisos em busca de um
amanhã, de um utópico amanhã"

 
Ao meu "brohter" John Louco


Imagem: Ismar Z.


sábado, 11 de setembro de 2010

107 - Escuridão


Será água, será vinho?
Uma rosa ou um espinho?
A luz, a escuridão?
O fato ou a razão?
A perda, o preço...
O que para mim seria adaga
De algo que desconheço
Minha alma me indaga...

Não vivo, mas vivo.
Se viver é avistar horizontes
Não viver é seguir morrendo
Sem vislumbrar as pontes.
Sim, por certo que ensejo
Desejo ver, mas não vejo...

Entrando na realidade
Buscando uma verdade
Não sei da vida a real tonalidade
Concretizo a tarefa de seguir vivendo
A visão não é tudo
Nunca a conheci, todavia
Minha alma dela se sinta
Enlutada - no escuro...

A. F. J.


Imagem: Marcus Vinicius


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

106 - Obtuário


Bem antes da data presente
Meu corpo perdeu a alma
E o que restou de mim,
Se arrasta por meio de um
Abstrato sorriso de outono.
Não era essa a ideia, sei que não era
Mas hoje, continuo aqui acorrentado
A uma alegria ilusória.
Sim, falecido estou, para os dogmas
Da terra.

Se ela vai ser detentora de minha
Carcaça no futuro,
Então que o presente seja
Para mim,
Um presente...

Não quero honrar continência
Para um SENHOR
A quem não sigo...
Quero apenas seguir

E sei que meus pés conhecem o caminho,
Assim como eu conheço
A alma,
E ela não é submissa...


A. F. J.


Imagem: Ismar Z.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

105 - Ida e Volta



"Não ha Ida sem Volta,
e nem há Volta sem Ida.
A Morte não é Morte
é só a porta da
Vida."



Imagem: Ismar Z.

sábado, 31 de julho de 2010

104 - A cruz na estrada



A cruz ali fincada,
A dor ali chorada,
Pedaço de alguém.
Espinhos do além.

Nasceu.
Surgiu.
Viveu.
Partiu.

Símbolo de um Ser.
Marca de um sofrer.
Barco que não atracou.
Vida que não vingou.
Destino que interrompeu
A vida de um ser
Que quis e não
Viveu.


A. F. J.


Imagem: Kleber Athos

quarta-feira, 21 de julho de 2010

103 - Ver - Te ( As doze árduas horas )


Por que preciso ver-te com limitações?
Quero-te por completo.
Que mundo é esse que estás vivendo hoje?
Dê-me o endereço, preciso visitá-la
Para perguntar como se faz o molho...

Você nem disse que ia partir, por que fostes assim?
Nem reparei na mesa, nem percebi o sabor do manjar...
Entrei há pouco no meu quarto... Não senti seu perfume lá
Não creio que minha realidade esteja desperta,
Acho que ela ainda dorme... Por Deus, destrua os relógios!

Não se esqueça que me prometestes que seria eu
A aguardar-te... Por que fizestes o contrário?
Agora não tenho como seguir... Então, só o que preciso
É o que não posso: tê-la de volta
Minha Mãe...


A. F. J.



Imagem: Kleber Athos
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