NA LONGA E NEGRA NOITE, POR ENTRE O SABOR DAS TREVAS †

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

19 - Meu Adeus...


Quando um último suspiro percorrer meus findos pulmões

Saberei que é chegada a hora de meu corpo

desvencilhar-se da minha cansada alma.

Nesse derradeiro instante,

meus lábios apenas se moverão

E te suplicarei para que poupe

meus últimos instantes

De ver-te a lamentar-se

Não desejo que flores alegres do campo,

venham adornar meu gélido esquife.

Deixe-as em seu derradeiro campo

A alegrar alguém ou algo que resiste.

Não entre no túnel do silêncio,

não cubra teu corpo de luto

Minha viagem é inadiável

e tua vida ainda prossegue.

Não permita que os cânticos se calem

nem que suas alegrias se percam

nos arredores da solidão.

Eu parto,

como a noite,

todavia não haverá troca pela manhã

É um poeta que segue seu derradeiro destino,

assim deve ser

Pois é o dogma da vida.

A cortina se fechou,

e o último ato

Vem composto de um triste cenário,

mas não deixa de ser um espetáculo.

Num último segundo

minha mente me consumirá

em vazias recordações de meu passado errante,

Onde talvez, minha alma tenha me consumido.

De tudo, nada levarei

Somente e tão somente,

o adeus de seu olhar.


A. F. J.


Poema publicado no site Spectrum Ghotic
Poema publicado no site Cemiteriosp

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