Quando um último suspiro percorrer meus findos pulmões
Saberei que é chegada a hora de meu corpo
desvencilhar-se da minha cansada alma.
Nesse derradeiro instante,
meus lábios apenas se moverão
E te suplicarei para que poupe
meus últimos instantes
De ver-te a lamentar-se
Não desejo que flores alegres do campo,
venham adornar meu gélido esquife.
Deixe-as em seu derradeiro campo
A alegrar alguém ou algo que resiste.
Não entre no túnel do silêncio,
não cubra teu corpo de luto
Minha viagem é inadiável
e tua vida ainda prossegue.
Não permita que os cânticos se calem
nem que suas alegrias se percam
nos arredores da solidão.
Eu parto,
como a noite,
todavia não haverá troca pela manhã
É um poeta que segue seu derradeiro destino,
assim deve ser
Pois é o dogma da vida.
A cortina se fechou,
e o último ato
Vem composto de um triste cenário,
mas não deixa de ser um espetáculo.
Num último segundo
minha mente me consumirá
em vazias recordações de meu passado errante,
Onde talvez, minha alma tenha me consumido.
De tudo, nada levarei
Somente e tão somente,
o adeus de seu olhar.
A. F. J.
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